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zero cinco.

ninguém entende minha fixação por lapiseiras.

talvez nem eu mesma entenda.

faz um tempo eu tinha mil delas, perdidas em bolsos de bolsas, no fundo das mochilas, espalhadas por meus cento e poucos porta-lápis.

aos poucos elas foram sumindo. estragando, quebrando, emperrando. aos poucos não, do nada.

do nada, até mesmo a minha pentel rosinha, que me acompanhou por uns seis anos (e isso é tempo pra caralho pra algo aguentar nas minhas mãos), decidiu me abandonar.

os motivos do abandono são variados.

tem uma, azulzinha, que não segura mais o grafite direito.

a preta, sumiu, evaporou.

o plástico da azul petróleo foi se despedaçando inteiro.

eu tinha uma branquinha também, que nunca mais vi.

e a mais linda de todas, aquela rosinha… ai gente, é inexplicável o que aconteceu com ela 😦 a bonita ficou, de repente (juro!!!), com o buraco pequeno demais pra receber o grafite zero cinco de sempre. meu chefe até levou ela pra uma tentativa frustrada de cirurgia, e depois disso, ela nunca mais quis voltar pra mim 😦

tentei usar lápis. caneta. marcador. caneta ponta fina, ponta grossa… nada disso aguentou muito tempo na minha mão.

e eu juro pra vocês que sem lapiseira eu não consigo pensar direito!! parece que as coisas não fluem na minha cabecinha… os pensamentos não conectam, eu esqueço meus afazeres. minhas agendas passam semanas em branco e não tem nenhum rabiscozinho novo no sketch.

a solução parece fácil, facílima. só comprar uma nova, né não?

mas eu vou enrolando, enrolando, enrolando e enquanto isso vou deixando de pensar, lembrar, sentir…

esses dias pedi pra lê fazer uma solicitação de compra de uma nova pra mim.

fui exigente: pedi pentel e zero cinco, que nem a primeira.

ontem a lê entrou aqui na casa com um sorriso no rosto, com carinha de sapeca. perguntei: “que foi?” e ela veio andando na minha direção com as mãos pra trás do corpo.

quando ela tirou as mãos de trás e me mostrou a sacolinha da papelaria com um envelope de papel pardo, meu coração parou por um segundo.

ela chegou ♥

voltei a pensar.

 

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estrelas.

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um desconhecido me perguntou: “o que você sente quando olha para as estrelas?”

minha resposta pra essa pergunta, eu sei de cor. é uma resposta muito particular pra eu entregar de mão beijada para desconhecidos, então resumi tudo à palavra “paz”.

engraçado falar isso, sendo que to a ponto de despejar essa particularidade toda em um lugar público. público, mas particular.

minhas reflexões não cabem só na minha cabeça e nem no meu caderninho: eu preciso compartilhar.

então, lá vai: o que eu sinto quando olho para as estrelas?

me sinto pequena, fazendo parte de algo grande. eu vejo pessoas. muitas pessoas.

não as que já se foram, mas as que ainda estão aqui. eu vejo um milhão de mundos, e percebo que eu sou só mais um deles – só mais um orgulhoso membro desse conjunto formado por sete bilhões de mundos.

quando olho para as estrelas, eu lembro de um show em que fui e todos acendiam as luzes dos celulares. lembro de quando estou em avenidas largas de cidades grandes, e as luzes dos carros se movimentam.

e lembro, principalmente, de medellín. da minha medellín.

são nossos universos individuais que formam uma paisagem iluminada – um céu, uma rua, uma plateia, uma cidade iluminada.

e esse conjunto de universos individuais iluminados é muito mais bonito do que qualquer luz irradiando sozinha.

quando olho para as estrelas eu sinto orgulho de fazer parte desse mundo, eu sinto segurança por saber que estamos todos juntos nessa.

e sinto esperança, aquela esperança de medellín. pode ser clichê, mas quando estamos juntos, construímos um mundo muito melhor – quer dizer, construímos sete bilhões de mundos muito melhores.