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Desabafo sobre meu maior medo.

Esse não é um daqueles meus textos despretensiosos e fofos, por isso não tem sentido usar as iniciais minúsculas, os parágrafos e frases curtas, os diminutivos e as expressões de linguagem informal. É um desabafo, como muitos dos meus outros textos por aqui. Mas um desabafo sério.

Eu tive aula hoje de manhã. A ideia era pegar um ônibus as 5h30, mas essa hora não tinha amanhecido ainda então era impensável sair andando pelo meu bairro no escuro. Fui de taxi.

Minha aula era em outra cidade e quando acabou, tive que pegar outro ônibus para a cidade dos meus pais. Minha casa fica relativamente perto da rodoviária, então vou andando. O caminho não é o mais seguro do mundo, meus pais sempre ficam apreensivos quando tenho que passar por uma ponte em questão. Mas já fazem três anos que eu faço esse caminho, inclusive algumas vezes tive que passar por ali a noite, e nunca aconteceu nada. Quer dizer, já passei por algumas situações que me deram um pouco de medo. Minha tática sempre é olhar ao redor, mas manter a cabeça baixa e o rosto fechado. Meu passo é apressado e não fico tranquila até chegar perto de uma área mais movimentada.

Hoje eu tava distraída. Saí do ônibus lembrando de um filme que eu tinha visto. O filme tinha algumas cenas machistas e eu tava debatendo comigo mesma algumas questões do feminismo. Tava criando discursos mentais, lembrando de argumentos e fazendo um paralelo com um quadrinho que li ontem sobre o que é ser mulher.

Para subir naquela ponte, tenho que passar por uma rampa de acesso. A rampa é meio isolada, de um lado tem um muro alto que separa o caminho de um terreno cheio de mato e do outro tem um morro com gramado que vai até a estrada. Quando fiz a curva pra entrar na rampa, que imagino que tenha uns 30, 40 metros de comprimento, vi que vinha um cara atrás de mim.

Apesar de ser um acesso importante e um caminho que leva ao centro, na maioria das vezes que passei por ali eu estava sozinha. Ter um homem andando aqueles 40 metros tão perto de mim não me deixou muito segura não, mas como falei antes, eu tava distraída, ainda tava no debate mental sobre feminismo. Segurei a minha bolsa com as duas mãos e lembrei que meu notebook tava na mochila. “O cara parece normal, acho que não vai me roubar aqui”, lembro que pensei.

Eu não andei mais do que três metros quando comecei a ouvir uns sussurros. Demorei pra perceber o que tava acontecendo. Demorei pra perceber quais palavras estavam sendo ditas. Apertei meu passo e senti o passo do cara acompanhar o meu, as palavras que ele soltava iam ficando mais claras e o meu medo ia aumentando. Olhei pra frente e ainda tinham pelo menos dois terços do caminho pra percorrer, em subida, sendo que lá em cima também não era o lugar mais seguro. Se acontecesse algo, se o cara quisesse que acontecesse algo, eu não ia ter pra onde fugir. Pensei em voltar o caminho, já que ia chegar mais perto pra um lugar movimentado, mas pra isso eu ia ter que passar pelo cara. Eu olhei pra trás pra ver se tinha alguma chance, e foi só então que eu vi que não eram só os sussurros. O cara me olhava, me chamava, e se masturbava enquanto isso.

Passar por ele realmente foi uma opção descartada. Apertei mais ainda o passo, quase correndo até chegar lá em cima. Meu plano era acenar para os carros e pedir alguma ajuda caso ele viesse atrás. Por uma sorte absurda, ele foi ficando pra trás até que, quando cheguei na ponte, ele já tinha sumido de vista.

Por algum privilégio da minha vida, nunca sofri um abuso ou trauma maior. Sei que o que passei hoje não é nem um por cento do que acontece com milhares de mulheres ao redor do Brasil e do mundo todos os dias. Mas ainda assim, foi desesperador. É desesperador.

No resto do meu caminho pra casa, não consegui respirar direito. Senti meu rosto ficar vermelho, queimar, arder, como se eu estivesse morrendo de vergonha. Vergonha? Vergonha de quê? Me senti um objeto, senti minha liberdade ser privada, senti nojo de mim mesma, dos outros, do mundo. A cada homem que passou por mim, eu me encolhi o máximo que pude. Não consegui organizar meus pensamentos direito, meus sentimentos direito.

Lembro que em um dos momentos de raiva, quando já estava entrando na rua de casa, pensei que não tinha como continuar a vida desse jeito. Como eu ia voltar a olhar pros homens da minha vida? Como é possível continuar a viver sendo que você é vista pela sociedade como um objeto descartável? Como eu ia conseguir olhar pra minha mãe, pra minha irmã, pra minha prima, sabendo que elas já passaram ou que um dia irão passar por esse sentimento tão ruim?

Quando contei pra minha mãe, ela me disse que esses caras eram doentes. Não, eles não são. Nossa sociedade é que é doente. Pra eles, a gente não é nada, a gente não significa nada. Seres que só existem para servir, que só são reféns do prazer alheio. Seres que não têm vontades, quereres, vidas.

Mas, na verdade, a gente tem uma vida. E a gente tem que voltar pra ela, como se nada tivesse acontecido. Tive crise de respiração, de choro, de angústia, mas meia hora depois eu tava sorrindo. Contando da semana. Abraçando minha prima. Fingindo que tava tudo bem. E tava? Não tava? Ta? Não ta? Eu não sei.

 

 

Essa semana assisti uma peça em que a gente queimava todos nossos medos. Em um dos momentos, a gente queimou nosso medo de andar na rua sozinhas só por sermos mulheres. Mas depois a gente teve que voltar pro mundo real. Um mundo de medo.

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zero cinco.

ninguém entende minha fixação por lapiseiras.

talvez nem eu mesma entenda.

faz um tempo eu tinha mil delas, perdidas em bolsos de bolsas, no fundo das mochilas, espalhadas por meus cento e poucos porta-lápis.

aos poucos elas foram sumindo. estragando, quebrando, emperrando. aos poucos não, do nada.

do nada, até mesmo a minha pentel rosinha, que me acompanhou por uns seis anos (e isso é tempo pra caralho pra algo aguentar nas minhas mãos), decidiu me abandonar.

os motivos do abandono são variados.

tem uma, azulzinha, que não segura mais o grafite direito.

a preta, sumiu, evaporou.

o plástico da azul petróleo foi se despedaçando inteiro.

eu tinha uma branquinha também, que nunca mais vi.

e a mais linda de todas, aquela rosinha… ai gente, é inexplicável o que aconteceu com ela 😦 a bonita ficou, de repente (juro!!!), com o buraco pequeno demais pra receber o grafite zero cinco de sempre. meu chefe até levou ela pra uma tentativa frustrada de cirurgia, e depois disso, ela nunca mais quis voltar pra mim 😦

tentei usar lápis. caneta. marcador. caneta ponta fina, ponta grossa… nada disso aguentou muito tempo na minha mão.

e eu juro pra vocês que sem lapiseira eu não consigo pensar direito!! parece que as coisas não fluem na minha cabecinha… os pensamentos não conectam, eu esqueço meus afazeres. minhas agendas passam semanas em branco e não tem nenhum rabiscozinho novo no sketch.

a solução parece fácil, facílima. só comprar uma nova, né não?

mas eu vou enrolando, enrolando, enrolando e enquanto isso vou deixando de pensar, lembrar, sentir…

esses dias pedi pra lê fazer uma solicitação de compra de uma nova pra mim.

fui exigente: pedi pentel e zero cinco, que nem a primeira.

ontem a lê entrou aqui na casa com um sorriso no rosto, com carinha de sapeca. perguntei: “que foi?” e ela veio andando na minha direção com as mãos pra trás do corpo.

quando ela tirou as mãos de trás e me mostrou a sacolinha da papelaria com um envelope de papel pardo, meu coração parou por um segundo.

ela chegou ♥

voltei a pensar.

 

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quando a gente começa a conversar com mochilas.

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olho pra você, você olha pra mim.

finalmente estamos só nós duas.

foram mais ou menos quinze dias compartilhando nosso tempo juntas com outro alguém. alguém legal demais da conta. que nos divertiu, nos acompanhou, topou todas as aventuras e ouviu nossas mágoas. alguém que nos fez crescer e amadurecer.

foi nossa primeira viagem juntas. digo, minha e sua. e minha com ela. a primeira viagem de nós três juntas.

pra mim foi diferente, sabe?

ao mesmo tempo que era minha primeira vez com você, te deixando me abraçar e te mostrando um mundo e um ritmo que eu só tava acostumada a dividir com meus próprios pés; era também minha primeira vez com ela, explorando uma das cidades que eu mais amo no mundo, dividindo minha família e descobrindo novos lugares, e novos sentimentos.

foi difícil pra mim.

por mais maravilhoso que tenha sido, você já me conhece, né?

nosso pouco tempo juntas já te fez entender minha rotina, minhas manias, acompanhar meus silêncios intermináveis e também me ouvir quietinha enquanto eu tenho minhas conversas e discussões acaloradas comigo mesma.

você sabe bem como é a minha necessidade de ter o “meu tempo” e o “meu espaço”. sabe o quanto eu prezo por isso, o quanto preciso disso. você foi a única pra quem eu já contei como funciona a conexão entre meu cérebro e meus passos – às vezes lenta, às vezes precipitada, mas sempre intuitiva.

a verdade é que é difícil ouvir a intuição quando não se está só.

nós duas temos dessa coisa de precisar do silêncio, né? é como se só o silêncio pudesse nos deixar conscientes de que estamos vivas.

aquele silêncio em que nem mesmo a nossa respiração atrapalha. minha repiração é levíssima e silenciosa. a sua, não existe.

externo a nós, dá pra ouvir muitos sons e ruídos. seja da natureza, da cidade se movimentando, do pneu rasgando o asfalto ou até mesmo da música alta que coloco às vezes.

mas não existe interação nossa com o exterior. a interação é só entre eu comigo mesma, e entre eu e você. isso que é o silêncio pra mim.

viajar com alguém além de nós duas foi um teste de paciência. um complexo e instigante teste.

acho que conviver tem disso, né? como faz alguns anos que eu não sei o que é conviver 24 horas com alguém, tinha me esquecido como era.

decisões que eu sempre tomei sozinha, agora foram compartilhadas. desde o lugar pra atravessar a rua até a hora de voltar pra casa. falar ou não falar com alguém e o cardápio do dia.

o silêncio nosso, deixou de existir. minha independência e liberdade, aquela minha mania de só pensar em mim mesma e fazer o que eu tivesse vontade e o que me desse na telha, teve que ficar de lado.

foi uma viagem de transformação. de quebra de paradigmas. de deixar nosso eu intuitivo num cantinho e sair da nossa tão deliciosa zona de conforto.

agora que acabou, estamos sozinhas de novo na poltrona do ônibus. as decisões voltaram a ser nossas (minhas). os silêncios são aqueles deliciosos que estávamos acostumadas.
em minha cabeça há um turbilhao de sentimentos íntimos e dúvidas intermináveis sobre esses sentimentos tão novos.

o que eu mais gosto de ti é que não preciso falar nada pra você me entender. a gente se olha. se toca. se abraça. sei que estamos sozinhas, mas ao mesmo tempo temos uma a outra.

minha companheira de primeira viagem, de próximas viagens. de dia a dia, de desabafos, silêncios, e decisões.

olho pra você de novo. quietinha, descansando, me olhando.

finalmente estamos só nós duas.

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vai ter retrospectiva, simmm!

vou fazer retrospectiva de dois mil e dezesseis simmm e sei que não interessa pra ninguém mas gosto de fazer isso, então beijos. sei que 2016 foi um ano muito bad pro mundo e pro brasil, mas pra mim foi tão amorzinho que acho que posso dizer que é meu ano xodó.

foi a primeira vez que comecei o meu ano longe da família (a apenas alguns quarteirões de distância, confesso). passei a virada junto com as minhas melhores amigas, na praia, muito bêbada. foi como um fechamento de um ciclo muito louco que vivi ano passado. me diverti muito naquela noite e quero repetir a dose nos próximos reveillons (que palavra estranha, não?)!

exatamente uma semana depois dessa noite louca, eu tava viajando rumo à experiência mais incrível que vivi até hoje. tudo começou com o tal hostel star wars e terminou com uma isadora nova.

teve frio na barriga, teve conversa, teve briga, teve abraços e teve eu, que sou tão horrível em fazer novas amizades, fazendo amigos lindos antes de 2016 completar dez dias de existência.

e que amigos, não é mesmo? eu poderia dizer que meu ano valeu totalmente a pena só por ter conhecido essa galera linda, só por ter vivido essa experiência colombiana com eles. todas as barra libres, as aguardientes, os passeios, as viagens de metrô, as noites na plaza, as conversas, os cines al parque, as visitas nos museus, as mamadoras e os chupitos, os abraços, os reggaetons e até mesmo todas brigas fizeram minha experiência valer muito, e me fizeram sentir tanto carinho por aquelas pessoas que eu nem sabia que era possível sentir em um mês e meio.

trabalhar como voluntária, na popular 2, também me transformou. cada dia, segundo, sorriso e abraço me tornou uma pessoa melhor e mudou minha visão de mundo. construí meu amor e admiração por medellín e pelos paisas e isso eu devo 100% a 2016.

daí chegou a hora de voltar pro brasil, pra rotina, pro trabalho, pra faculdade. as coisas estavam mudadas, dentro e fora de mim.

no trabalho foi um ano ok. na faculdade foi um ano ok. e na vida pessoal um ano ok também. parece que não teve nada de extraordinário, mas o resumo da ópera desse ano pra mim foi extraordinário sim! (minha visão sempre otimista e romantizada das coisas me ajuda muito nisso)

além da viagem pra colômbia, outras três viagens me marcaram:

um) primeira vez que pisei em solos nordestinos. só posso dizer que: fortaleza, eu te amo pra caralho. você é linda, suas praias são lindas, suas comidas são deliciosas, suas paredes me arrepiam, seu povo é mais do que especial e tudo que eu vivi nos cinco dias por aí foram muito importantes pra mim!

dois) fim de semana de job muito louco. viagem relâmpago pro rio e pra são paulo. primeira vez sozinha a trabalho. senti cansaço de um jeito que eu nunca tinha sentido antes e não senti ainda depois. misturei trabalho com diversão e com aproveitar uma das cidades que mais amo nesse mundo.

três) e siiiim, teve europa esse ano. primeira vez nesse tal de velho continente. nem consigo expressar o quanto sou grata e privilegiada por ter tido a oportunidade de conhecer paris, londres e barcelona. teve uma leve decepçãozinha com paris, um amor profundo a primeira vista com londres e muito encantamento com barcelona. além de tudo, revi, de novo, minha melhor amiga de infância – desbravei barcelona e me diverti muito com ela (que lembrança maravilhosa a nossa comendo pizza na plaza del sol <3). teve pub crawl em londres com brasileiros incríveis, teve nascer do sol em dia nublado na barceloneta e teve meus primeiros rolês por ruas e vielas em um país que não entendo nada do idioma.

e que mais que teve esse ano? hummm… eu fiz as pazes com meu cabelooooo! ieeeei, talvez não tenha mudado na aparência pra vocês, mas meu cabelo tá tão hidratadinho e tá do jeito que eu sempre quis. passei o ano inteirinho hidratando, nutrindo, restaurando, fazendo no poo, co wash, gastando metade do salário, estourando o cartão de crédito, entendendo como funciona a absorção de nutrientes e percebendo o que eu mais gosto e qual a finalização certa pra eu gostar do meu cabelo. passei por tantos processos, aprendi a cortar ele sozinha e fui tirando tudo até sair o preto que ainda tinha só pra poder pintá-lo de vermelho – e fiz isso semana passada.

comprei minha mochila *———–* uma mochila tão, mas tão linda, que eu mostro pra todo mundo (aliás, o que eu não mostro e conto pra todo mundo, não é mesmo?), uso de travesseiro, amasso, aperto… af, ela é tão linda.

também rolou scmc, depois de quatro anos de quando me inscrevi pela primeira vez e não passei, voltei pra esse projeto lindo. eu renovada, e o projeto renovado também. o design nunca correu nas minhas veias de um jeito tão pulsante. a experiência que o scmc nos proporciona é algo absurdo e surreal, a possibilidade de trocar vivências e aprendizados com meus colegas estudantes de moda e design do estado inteiro me enriqueceu demais. tenho tanto orgulho de participar do scmc, que não cabe em palavras. acho que foi o projeto acadêmico mais fudidamente incrível que tive a oportunidade de participar.

falando em parte acadêmica, apesar de eu ter decidido desistir da facul esse ano (tava mto puxado e eu tava tendo umas crises de stress constantes, melhor dar um tempo!) foi um ano que me fez indagar e questionar muitas coisas. esse mundo da moda não é um mundo muito legal e amigável. ainda tô com mil pulgas atrás da orelha mas tamo aí né. reflexão sempre é bom.

tem algumas outras coisinhas que acho que vale a pena citar: alguns findes em floripa com o fer, ir no show do maroon 5 (eu juro que não gosto, mas foi meu primeiro show internacional, migos), conhecer os caras da fresno, ir em show do nx, aumentar minha listinha de filmes assistidos e para assistir, aumentar minhas playlists no spotify, conhecer um pouquitinho de olinda, porto de galinhas, recife, ficar amiga da lari, aprender a beber cerveja, destruir dois celulares, me apaixonar (mais ainda) por fazer ppt, aproveitar mais meu colegas da faculdade e me divertir demais com eles e aprender a fazer amigurumis ❤

pra finalizar, pode parecer que perto das viagens, dos projetos, das amizades que fiz, isso seja algo muito pequeno. mas se teve algo que fez diferença no meu 2016, foi começar a ouvir podcasts. devo isso 100% ao pedro, que me relembrou dessa mídia maravilhosa e me mostrou uma forma de otimizar as 5 horas diárias que passava indo pra faculdade. começou só nessas horas dentro da van mesmo, mas os podcasts foram expandindo demais o espaço que ocupam dentro da minha vida.

sinto que cresci muito, que aprendi muito e que aumentei minha visão de mundo com as centenas de horas compartilhadas ouvindo esses programas que tanto amo. posso até dizer pra vocês que o sonho da minha vida hoje é que todos meus amigos escutem podcasts também. é reconfortante ouvir a voz da ju wallauer e da cris bartis do mamilos, do mizanzuk do anticast e do projeto humanos, dos meninos do braincast, do daniel alarcón e as histórias maravilhosas do radio ambulante, do filipe e da letícia do nome disso é mundo, e de tantos outros que formam meu feed com cerca de 20 podcasts.

resumindo tudo isso, acho que algumas palavras que tem muito a ver com esse ano são repertório e referência. eu conheci muita coisa nova esse ano, muitos pontos de vista, vi filmes, conversei pra caramba, discuti, debati, ouvi, vi novas realidades, vivi uma nova rotina e isso tudo foi somando demais pro meu repertório e pro meu caderninho de referências (eu fechei quatro caderninhos de anotações esse ano, não é pouca coisa não).

não foi um ano louco, mas foi um ano lindo e que eu amo ter vivido.

talvez o maior aprendizado do ano tenha sido perceber o quanto sou priviligiada por td isso, e por conseguir enxergar essas coisas de forma tão otimista.

e só pra finalizar mesmo, o que mais importa de 2016 é que vai ser pra sempre o ano que a minha priminha nasceu e que eu vi ela pela primeira vez, todo o resto fica pequeniníssimo perto disso. a ana clara é uma das cinco coisinhas mais lindas da minha vida e das que mais enchem meu coração.

terminei meu ano em buenos aires. passei uma virada muito louca que merece um post. uma virada totalmente aleatória. tão aleatória, que tenho medo de “aleatório” ser a palavra do meu 2017.

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filmes que tenho assistido nos últimos tempos. 3

meu blog virou só uma plataforma pra eu registrar os filmes que tenho assistido. e estão ficando frequentes esses registros – e eu não sei se isso é bom, por eu estar assistindo muitos filmes, ou se é ruim, por eu não ter mais inspiração pra escrever nenhuma crônicazinha.

enfim.

quarta feira a noite saí pra jantar com um menino. conversamos daquelas coisas que a gente conversa quando tá conhecendo alguém, sabe? ele é formado em cinema e perguntei sobre o tipo de filmes que ele gostava de assistir.

enquanto comíamos um hamburguer com rúcula e cogumelos, o moço me disse: “me gustan las películas sencillas, que hablan de temas del día a día, cosas cotidianas y reales. dramas, pero no necesariamente dramas. nada de ficcion científica o esas cosas. algo próximo, sencillo y humano”

fiquei meio de boca aberta, só olhando pra ele. quando ele me perguntou do meu tipo de filmes eu disse que nunca conseguia explicar bem como era meu gosto pra cinema, mas que ele tinha respondido tirando as palavras da minha cabeça/coração, por isso a minha incredulidade ao olhá-lo expressando sua resposta. agora já sei como responder essa pergunta.

conversamos um pouco sobre diretores, fotografias, atores, histórias, e truques de cena. eu tô mt longe de ser expert no assunto, mas essas minhas listas crescentes de filmes me ajudar a ter uma base de conversa.

vamos lá… não sei bem por onde começo… eu contei por aqui que to tentando manter uma proporção de 1 filme brasileiro pra 1 filme estrangeiro e pra 1 americano? não lembro, mas a questão é que to tentando manter um equilíbrio entre os três. em filme estrangeiro entram todos os filmes latinos que eu tanto amo. acho que aqui na argentina tem mto mais filmes latinos disponíveis pra ver na netflix (to triste que minha lista vai diminuir consideravelmente amanhã =( ).

tenho dois favoritos dessa lista.

um deles é o brasileiro “califórnia”, dirigido pela marina persuhn. cara, eu gosto muitão de romances adolescentes e ~bobos~. adorei a história que se passa nos anos 90, com detalhes (direção de arte será o nome disso?), referências e fotografias deliciosas. gostei dos personagens, me apaixonei junto, senti demais todas as minhas experiências e sentimentos de quando tinha 16/17 anos. pra mim, esse filme tem uma das cenas de beijos mais lindas e gostosas que eu já assisti, um beijo super molhado, real e delicioso. amei. e amei mais ainda por ser brasileiro e dirigido por uma mulher.

o outro que amei tem uma temática que flutua pelo mesmo ambiente do anterior. tem rock n’roll, romance adolescente e fotografia boa, mas rola um pouco antes, nos anos 80. “sing street” é um pouco mais distante da gente, porque ele rola em dublin, na irlanda. a história é basicamente de um grupo de jovens decide montar uma banda porque o vocalista quer impressionar uma menina um pouco mais velha… nada demais, mas eu amei taaaanto haha. ele é meio musical, tem umas 4 ou 5 músicas no meio da história, cantadas inteiras enquanto mostra a evolução da banda e a evolução (ou não) do romancezinho. achei o figurino impecável. eu não entendo nada de música, então assistir esses filmes foi super legal pra ter um panorama de como era o rock dos 80 e dos 90.

 

finalmente assisti um filme do tarantino, pulp fiction no caso. apesar da violência bleh, foi bom acrescentar um filme desse moço pro meu repertório, e dá pra entender porque ele é tão aclamado. assisti também donnie darko pra ver se eu entendia algo, mas adivinhem…. não. fiz a família toda sentar na sala (e dormir) pra assistir elena (eu gostei do documentário, mas foi difícil demais da conta não dormir). e vi também chatô, o rei do brasil.

o penúltimo filme dessa breve listinha foi VIPs e to levando um horror de tempo pra me lembrar sobre o que era. opa, lembrei. brasileiro, wagner moura, tráfico. transtorno psicológico bipolar (digo eu), falta de identidade, e pressão constante de uma sociedade que exige riqueza, sucesso e prestígio social. o filme é inspirado na história real de um vigarista brasileiro, e a atuação do wagner moura é impecável. eu não conhecia/lembrava da história, mas achei bem interessantezinha. o filme me envolveu, mas não encantou demais, não.

e os três que sobraram são filmes mexicanos (eles tem uma produção incrível demais da conta). depois de lúcia é um filme que comecei a assistir achando que ia ser super leve e tranquis mas que não consegui terminar, de tão forte. meu coração ficou absolutamente destroçado. elvira é uma história dramática com umas boas pitadas de humor, achei legal. e rezeta é um filme que eu acabei de assistir e que ganha uns pontos extras por não ter uma narrativa tão delineada, com começo meio e fim (tenho discutido muito sobre a necessidade ou não disso). a história fala de relacionamentos e relações puramente reais, todos de uma menina. o que eu achei extremamente machista dele foi a descrição no netflix, que fala de “uma menina que usa seu charme pra conseguir o que quer”, e pra mim o filme não fala nada disso, ela é só uma menina normal.

vou postar sem revisão nenhuma, porque se eu tenho uma certeza de que pouquíssimasíssimasíssimas pessoas lêem aqui, essa certeza só aumenta quando se tratam desses textos sobre filmes.

boa noite ❤

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filmes que tenho assistido nos últimos tempos. 2

então, vamo lá pro meu exercício mensal de memória. vamos ver se eu lembro ou se o netflix me ajuda a lembrar dos últimos filmes que assisti por essas semanas.

acabei de ver “allende”, que conta a história do último dia de democracia antes do golpe militar no chile, revivendo as últimas horas de salvador allende no palácio de la moneda. conhecia muito pouco do ex-presidente chileno e o filme me passou uma imagem tão humana, real e forte dele, com pensamentos e ideais que são os que eu gostaria muito que um presidente da república tivesse. sobre a ditadura militar no chile eu já conhecia um pouco mais, mas saber exatamente como foi a tomada de poder deles, todas as pressões que influenciaram nisso, sob a perspectiva de dentro do palácio foi mt interessante.

assisti também “into the wild” (to tentando intercalar um filme de produção latina com um mais hollywoodiano hehehe). demorei mais ou menos umas duas semanas até terminar esse filme, eu fico enrolando, pausando, assistindo outras coisas no meio. mas o filme é muito bom! além de ser o preferido do meu irmão, foi uma indicação mto animada e inesperada de um amigo meu. conta a história de um cara filhinho de papai, rodeado por uma sociedade um tanto vazia e hipócrita (como a nossa, eu sei) que decide fugir e viver uma aventura no alasca. ele vai conhecendo pessoas incríveis no caminho, sobrevivendo de um jeito foda e o filme tem locações e cenários absurdamente lindos. eu gostei bastante do filme.

de brasileiros, me surpreendi muito com “entre nós”, um drama com grandes atores da nossa dramaturgia, que conta a história de jovens hippies dos anos 90 que se encontram em 2002 depois de 10 anos separados, misturando dramas da vida adulta com tensões dentro das relações deles. um dos pontos que adorei do filme pra mim foi uma conversa boba que eles tiverem sobre o que imaginavam da política brasileira, sob a ótica das eleições em 2002. gostei e indico mto!

deixa eu pensar no que mais temos… “the fundamentals of caring”, produção original do netflix que achei mto amorzinho e delícia de assistir. “inevitável”, produção metade argentina, metade espanhola, que me lembrou por vezes “el secreto de sus ojos” (não sei porque, talvez não tenha nada a ver, mas…), é uma história onde todos os pontos estão ligados e amarrados e você vai se dando conta disso durante a trama.

assisti o doc de cidade de deus, 10 anos, sem nem ter assistido o filme ainda (tarefa dessa semana, prometo), o independente francês “eu matei minha mãe”, o nada independente espanhol “ocho apellidos catalones”, e o chileno “alma”.

finalmente assisti “frida” – e que mulher, né não? ❤

vi dois eps de “love” e de “bojack”, comecei a assisti “hope”, mas achei forte demais pra mim. e demorei umas 3 semanas pra conseguir terminar o filme, mas finalmente assisti “amelie poulain” inteiro. também vi um doc sobre a “woodstock”, loja que marcou o rock brasileiro e to no meio de uns outros 30 docs e filmes, que uma hora acabo.

queria agradecer imensamente à netflix que agora permite que eu baixe os filmes no meu celular (como não tenho internet em casa, isso fazia com que eu não conseguisse assistir quase nada durante a semana) e ao mesmo tempo dizer que graças a isso vou atrasar todos meus podcasts, ou seja, isso é péssimo. dizer também que to assustada com isso de só consumir o que a netflix permite que eu consuma, isso não tá certo não.

enfimmmm, deve ter mais coisas, mas eu não lembro.

tchau.