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anotações.

a principal função dos cobertores, pra mim, não é me proteger do frio. preciso sentir o peso das cobertas sobre mim pra dormir bem. isso é fundamental.

ta acabando o ano e to preocupada que não vou ter uma agenda da monoblock pra dois mil e dezoito. e agora? ix.

talvez se eu tivesse mais dinheiro sobrando ia comprar as coleções inteiras da monoblock. talvez eu devesse trabalhar tendo isso como maior meta e sonho. talvez…

qual o sentido do spotify em colocar enanitos verdes, jorge drexler e tan biônica numa mesma playlist? não sei, mas gosto.

gosto de falar sobre no poo e rotinas capilares.

às vezes crio umas paixões platônicas só pra resolver minhas carências. e resolvem.

quando vou terminar cien años será?

to odiando ter internet em casa. ou talvez eu esteja odiando não ter auto controle e conseguir dormir cedo…

 

boa noite 🙂

 

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questões pra rankear.

tenho algumas questões não resolvidas que poderiam facilmente ser trabalhadas numa sessão de terapia.

como dei uma pausa nas idas à psicóloga, tenho que tentar resolver por conta própria (ou enchendo os ouvidos da lari com minhocas, devaneios e borboletas).

eu até que to me saindo bem, converso comigo mesma do jeito que falo com a psicóloga e tento fazer perguntas no estilo das que ela faz. além de ficar procurando outras atitudes que já tive ou sentimentos meus que se co-relacionem com o que eu to tentando resolver.

tipo, tava com uns probleminhas em relação a criar expectativas (quem sempre né?), em relação a querer ser de um jeito diferente do que realmente sou, etc. e fui pensando, amarrando nós, desamarrando, até que meio que resolvi.

mas o que acontece é que hoje encontrei outra questão pra resolver. essa não tem só a ver com a minha relação comigo mesma e com o mundo, mas tem também a ver com a relação do mundo com ele mesmo. eu quero mesmo divagar sobre essa questão, enxergar vários ângulos, entender o que se passa comigo, e vou aproveitar pra analisar isso tudo aqui. vamo vê no que dá.

hoje no teatro fizemos várias esquetes inspiradas em notícias de jornal. eram temas bem amplos e diferentes. mal terminamos de apresentar, e um amigo meu me perguntou qual eu mais tinha gostado.

repassei todas as cenas na minha cabeça, incluindo a minha, pensei nos pontos altos e baixos que eu tinha julgado em cada uma, tentei lembrar do que eu senti enquanto assistia, no quanto cada uma tinha me tocado.

no fim, não cheguei a nenhuma conclusão que me permitisse dar uma resposta a ele. falei então que eu tinha dificuldades em “rankear” as coisas. ele me disse que ele tinha dificuldades em não “rankear” as coisas.

(entendam “rankear” como “fazer um ranking”. dizer que gostei mais dessa, depois dessa, depois daquela. ou mais dessa e menos dessa. etc.)

essa conversinha me incomodou bastante. primeiro eu achei que era triste ele precisar rankear tudo (triste, errado, feio, escroto). depois eu achei que o que era tristeerradofeioescroto era eu achar isso da necessidade/mania dele.

será que na verdade eu não tava me incomodando com a fala do meu amigo porque não queria que a minha esquete entrasse nesse “ranking” dele e ficasse pra baixo? será que o fato de eu não gostar de rankings tem a ver com as minhas inseguranças? com meu medo de perder, com meu medo de não ser ~a melhor~?

faz pouco tempo eu escrevi outro texto aqui sobre competições. sobre como eu amo competir e sobre como tenho zero problemas com perder. sou uma boa perdedora, mesmo. não faz sentido eu me incomodar com rankings por insegurança, nesse caso, não é? jã que eu não tenho problemas com perder né? não sei. faz sentido? to confusa.

a verdade é que a minha relação com competições, comparações e rankings é bem confusa. beeeeem confusa. to aqui tentando resolver.

voltando à situação de hoje e tentando enxergar por outro ângulo:

a pergunta que o adriel me fez “qual você gosta mais?” é a mesma pergunta que eu escuto desde que eu tenho sete anos de idade e que vim morar aqui. “qual você gosta mais, brasil ou argentina?”

por que caralhos eu tenho que escolher entre meus dois países? por que eu tenho que gostar mais de um do que de outro?

quando eu penso nas alegrias e maravilhas que o brasil tem, meu outro lado do coração logo me mostra todas as alegrias e maravilhas da argentina. e quando lembro das coisas que não gosto tanto em um dos países, logo me lembro das que não gosto tanto do outro.

esses gostares e não gostares estão em perfeito equilíbrio? não, não estão. mas será que o fato dessa gangorra pender mais pra um lado do que pro outro significa que eu possa encher minha boa e dizer que gosto mais de um?

eu to constantemente mexendo nas caixinhas de gostares das coisas, até porque to constantemente mudando meu jeito de ver o mundo, então essas caixinhas não são estáveis. me sinto injusta de afirmar que gosto mais de algo do que de outro, sendo que nunca vou conseguir essa estabilidade porque nunca vão ser esgotados os pontos vista e as discussões que algo pode me trazer.

veja bem, a questão não é gostar ou não gostar. é ter que rankear as coisas que eu gosto. se eu gosto, é porque tem particularidades únicas, em indeterminadas faces.

eu tenho um filme favorito. mas não me faça dizer se gostei mais desse ou de outros filmes bons, porque os outros tem tantas qualidades que eu simplesmente não posso compará-los.

aí me vem a questão de: como eu escolhi um filme favorito se eu não fiz uma comparação com outros filmes? eu acho que eu só ~senti~ esse filme de um jeito mais forte e profundo do que eu senti os demais. talvez se a gente perguntasse “qual você “sentiu” mais?” a resposta seja mais fácil de achar.

eu tenho clareza de qual foi a cena do teatro de hoje que eu mais “senti”. mas ela foi uma das com menos qualidades cênicas. é injusto eu dizer que “gostei” mais dessa sendo que tinham outras com qualidades cênicas tão melhores. e é injusto eu dizer que “gostei” mais das cenas com melhores qualidades cênicas, sendo que elas me tocaram menos.

e se por um acaso a cena que eu tivesse mais “sentido” fosse também a com mais qualidades cênicas, não seria injusto dizer que foi a que eu mais gostei sendo que as outras tinham particularidades tão únicas, temáticas e técnicas totalmente diferentes?

a lari sempre me zoa que eu falo de todo mundo como se fosse meu melhor amigo. acho que tem a ver com essa história, com a minha dificuldade em escolher um só como o melhor (calma cami, você é a minha melhor amiga). parece isso que tira todas as qualidades dos outros. talvez eu que esteja errada de pensar assim.

já tentei também fazer uma lista decrescente das cidades que eu mais gostei. e é impossível. eu sempre troco a posição delas. eu sempre escolho uma cidade diferente quando me perguntam qual eu gosto mais.

as coisas são tão únicas que, cara, não dá pra rankear sabe? claro que consigo achar mais pontos fortes ou fracos nas coisas. mas às vezes um ponto forte é tão forte que o filme pode ter mil pontos fracos. enquanto outro filme tem mil pontos fortes, e poucos pontos fracos mas não tem AQUELE ponto forte. mas tem os outros mil.

eu pensei em escrever aqui que isso é igual a aquela expressão de que não dá pra comparar maçã com banana. mas eu percebi que a maioria das pessoas facilmente diria que gosta mais de uma fruta do que da outra. aí caiu a ficha que o problema realmente deve ser eu. que não consigo dizer qual gosto mais.

falando desse jeito parece que eu sou indecisa. mas eu não sou muito indecisa não. só tenho problemas em dizer que gosto mais de uma coisa do que da outra, porque eu consigo enxergar qualidades infinitas nessas coisas.

EU TO CONFUSA. talvez tenha que levar isso pra terapia mesmo. ou talvez não faça diferença na minha vida.

mas confesso que a necessidade do meu amigo, que eu enxergo como sendo a necessidade do mundo e da nossa sociedade, de rankear e comparar as coisas continua me incomodando.

talvez eu rankeie as coisas pra caralho sem perceber.

mas continua me incomodando.

 

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só porque eu tava afim de escrever algo.

hoje de manhã me olhei no espelho e me senti tão adulta.

talvez seja porque to usando uma jaqueta jeans da minha mãe e um cachecol do jeito que ela usa. talvez esteja vendo ela refletida em mim, sei lá.

como ta frio, a jaqueta não dá conta e preciso colocar um casaco peruano laranja vivo por cima. lá se foi a adultez…

eu tô cansada-porém-feliz.

hoje a cami vem pra cá. e pra isso, precisei passar a madrugada limpando a casa.

meu apartamento tava tão caótico que pra andar por ele eu tinha que dar passos largos com a ponta do pé, enquanto desviava e tentava não pisar em coisas aleatórias jogadas pelo chão.

fui dormir, às cinco da manhã, com uma sensação de dever cumprido.

“responsabilidades feitas”, pensei.

haa… se fosse responsável mesmo eu não teria três sacos gigantes de lixo acumulado de sabe-se lá quantos meses pra jogar fora.

a mesma sensação senti em outros dois momentos:

– quando consegui reaver uma multa depois de atrasar o pagamento do aluguel.

– quando montei uma planilha linda&perfeita no excel pra me programar pra recuperar as quarenta horas negativas que tenho aqui na empresa.

vê como eu vivo pra remediar irresponsabilidades da minha vida?

fico bastante na dúvida se isso é um ponto a melhorar, um atraso de vida, ou algo que simplesmente faz parte de mim por valorizar mais outras coisas.

o ivan sempre diz que eu sou cabeçuda. sobre eu ser desorganizada… cresci aprendendo que eu era assim. irresponsável? imatura?

eu não sei…

talvez.

mas talvez não veja problemas em ser assim.

digo, eu amo meu caos.

semana passada em um daqueles meus devaneios de conversar sozinha e de conversar com as coisas do meu quarto, comecei a soltar declarações de amor pra montanha de roupas, pros papéis de modelagem espalhados e até pros sacos de retalhos. “eu me sinto bem com vocês aqui”.

as sujeiras da minha casa.

as bagunças da minha cabeça.

 

será que preciso mesmo limpar tudo isso?

 

(o chão do apê tá branquinho, vazio. me sinto sozinha)

 

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Desabafo sobre meu maior medo.

Esse não é um daqueles meus textos despretensiosos e fofos, por isso não tem sentido usar as iniciais minúsculas, os parágrafos e frases curtas, os diminutivos e as expressões de linguagem informal. É um desabafo, como muitos dos meus outros textos por aqui. Mas um desabafo sério.

Eu tive aula hoje de manhã. A ideia era pegar um ônibus as 5h30, mas essa hora não tinha amanhecido ainda então era impensável sair andando pelo meu bairro no escuro. Fui de taxi.

Minha aula era em outra cidade e quando acabou, tive que pegar outro ônibus para a cidade dos meus pais. Minha casa fica relativamente perto da rodoviária, então vou andando. O caminho não é o mais seguro do mundo, meus pais sempre ficam apreensivos quando tenho que passar por uma ponte em questão. Mas já fazem três anos que eu faço esse caminho, inclusive algumas vezes tive que passar por ali a noite, e nunca aconteceu nada. Quer dizer, já passei por algumas situações que me deram um pouco de medo. Minha tática sempre é olhar ao redor, mas manter a cabeça baixa e o rosto fechado. Meu passo é apressado e não fico tranquila até chegar perto de uma área mais movimentada.

Hoje eu tava distraída. Saí do ônibus lembrando de um filme que eu tinha visto. O filme tinha algumas cenas machistas e eu tava debatendo comigo mesma algumas questões do feminismo. Tava criando discursos mentais, lembrando de argumentos e fazendo um paralelo com um quadrinho que li ontem sobre o que é ser mulher.

Para subir naquela ponte, tenho que passar por uma rampa de acesso. A rampa é meio isolada, de um lado tem um muro alto que separa o caminho de um terreno cheio de mato e do outro tem um morro com gramado que vai até a estrada. Quando fiz a curva pra entrar na rampa, que imagino que tenha uns 30, 40 metros de comprimento, vi que vinha um cara atrás de mim.

Apesar de ser um acesso importante e um caminho que leva ao centro, na maioria das vezes que passei por ali eu estava sozinha. Ter um homem andando aqueles 40 metros tão perto de mim não me deixou muito segura não, mas como falei antes, eu tava distraída, ainda tava no debate mental sobre feminismo. Segurei a minha bolsa com as duas mãos e lembrei que meu notebook tava na mochila. “O cara parece normal, acho que não vai me roubar aqui”, lembro que pensei.

Eu não andei mais do que três metros quando comecei a ouvir uns sussurros. Demorei pra perceber o que tava acontecendo. Demorei pra perceber quais palavras estavam sendo ditas. Apertei meu passo e senti o passo do cara acompanhar o meu, as palavras que ele soltava iam ficando mais claras e o meu medo ia aumentando. Olhei pra frente e ainda tinham pelo menos dois terços do caminho pra percorrer, em subida, sendo que lá em cima também não era o lugar mais seguro. Se acontecesse algo, se o cara quisesse que acontecesse algo, eu não ia ter pra onde fugir. Pensei em voltar o caminho, já que ia chegar mais perto pra um lugar movimentado, mas pra isso eu ia ter que passar pelo cara. Eu olhei pra trás pra ver se tinha alguma chance, e foi só então que eu vi que não eram só os sussurros. O cara me olhava, me chamava, e se masturbava enquanto isso.

Passar por ele realmente foi uma opção descartada. Apertei mais ainda o passo, quase correndo até chegar lá em cima. Meu plano era acenar para os carros e pedir alguma ajuda caso ele viesse atrás. Por uma sorte absurda, ele foi ficando pra trás até que, quando cheguei na ponte, ele já tinha sumido de vista.

Por algum privilégio da minha vida, nunca sofri um abuso ou trauma maior. Sei que o que passei hoje não é nem um por cento do que acontece com milhares de mulheres ao redor do Brasil e do mundo todos os dias. Mas ainda assim, foi desesperador. É desesperador.

No resto do meu caminho pra casa, não consegui respirar direito. Senti meu rosto ficar vermelho, queimar, arder, como se eu estivesse morrendo de vergonha. Vergonha? Vergonha de quê? Me senti um objeto, senti minha liberdade ser privada, senti nojo de mim mesma, dos outros, do mundo. A cada homem que passou por mim, eu me encolhi o máximo que pude. Não consegui organizar meus pensamentos direito, meus sentimentos direito.

Lembro que em um dos momentos de raiva, quando já estava entrando na rua de casa, pensei que não tinha como continuar a vida desse jeito. Como eu ia voltar a olhar pros homens da minha vida? Como é possível continuar a viver sendo que você é vista pela sociedade como um objeto descartável? Como eu ia conseguir olhar pra minha mãe, pra minha irmã, pra minha prima, sabendo que elas já passaram ou que um dia irão passar por esse sentimento tão ruim?

Quando contei pra minha mãe, ela me disse que esses caras eram doentes. Não, eles não são. Nossa sociedade é que é doente. Pra eles, a gente não é nada, a gente não significa nada. Seres que só existem para servir, que só são reféns do prazer alheio. Seres que não têm vontades, quereres, vidas.

Mas, na verdade, a gente tem uma vida. E a gente tem que voltar pra ela, como se nada tivesse acontecido. Tive crise de respiração, de choro, de angústia, mas meia hora depois eu tava sorrindo. Contando da semana. Abraçando minha prima. Fingindo que tava tudo bem. E tava? Não tava? Ta? Não ta? Eu não sei.

 

 

Essa semana assisti uma peça em que a gente queimava todos nossos medos. Em um dos momentos, a gente queimou nosso medo de andar na rua sozinhas só por sermos mulheres. Mas depois a gente teve que voltar pro mundo real. Um mundo de medo.

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zero cinco.

ninguém entende minha fixação por lapiseiras.

talvez nem eu mesma entenda.

faz um tempo eu tinha mil delas, perdidas em bolsos de bolsas, no fundo das mochilas, espalhadas por meus cento e poucos porta-lápis.

aos poucos elas foram sumindo. estragando, quebrando, emperrando. aos poucos não, do nada.

do nada, até mesmo a minha pentel rosinha, que me acompanhou por uns seis anos (e isso é tempo pra caralho pra algo aguentar nas minhas mãos), decidiu me abandonar.

os motivos do abandono são variados.

tem uma, azulzinha, que não segura mais o grafite direito.

a preta, sumiu, evaporou.

o plástico da azul petróleo foi se despedaçando inteiro.

eu tinha uma branquinha também, que nunca mais vi.

e a mais linda de todas, aquela rosinha… ai gente, é inexplicável o que aconteceu com ela 😦 a bonita ficou, de repente (juro!!!), com o buraco pequeno demais pra receber o grafite zero cinco de sempre. meu chefe até levou ela pra uma tentativa frustrada de cirurgia, e depois disso, ela nunca mais quis voltar pra mim 😦

tentei usar lápis. caneta. marcador. caneta ponta fina, ponta grossa… nada disso aguentou muito tempo na minha mão.

e eu juro pra vocês que sem lapiseira eu não consigo pensar direito!! parece que as coisas não fluem na minha cabecinha… os pensamentos não conectam, eu esqueço meus afazeres. minhas agendas passam semanas em branco e não tem nenhum rabiscozinho novo no sketch.

a solução parece fácil, facílima. só comprar uma nova, né não?

mas eu vou enrolando, enrolando, enrolando e enquanto isso vou deixando de pensar, lembrar, sentir…

esses dias pedi pra lê fazer uma solicitação de compra de uma nova pra mim.

fui exigente: pedi pentel e zero cinco, que nem a primeira.

ontem a lê entrou aqui na casa com um sorriso no rosto, com carinha de sapeca. perguntei: “que foi?” e ela veio andando na minha direção com as mãos pra trás do corpo.

quando ela tirou as mãos de trás e me mostrou a sacolinha da papelaria com um envelope de papel pardo, meu coração parou por um segundo.

ela chegou ♥

voltei a pensar.

 

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quando a gente começa a conversar com mochilas.

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olho pra você, você olha pra mim.

finalmente estamos só nós duas.

foram mais ou menos quinze dias compartilhando nosso tempo juntas com outro alguém. alguém legal demais da conta. que nos divertiu, nos acompanhou, topou todas as aventuras e ouviu nossas mágoas. alguém que nos fez crescer e amadurecer.

foi nossa primeira viagem juntas. digo, minha e sua. e minha com ela. a primeira viagem de nós três juntas.

pra mim foi diferente, sabe?

ao mesmo tempo que era minha primeira vez com você, te deixando me abraçar e te mostrando um mundo e um ritmo que eu só tava acostumada a dividir com meus próprios pés; era também minha primeira vez com ela, explorando uma das cidades que eu mais amo no mundo, dividindo minha família e descobrindo novos lugares, e novos sentimentos.

foi difícil pra mim.

por mais maravilhoso que tenha sido, você já me conhece, né?

nosso pouco tempo juntas já te fez entender minha rotina, minhas manias, acompanhar meus silêncios intermináveis e também me ouvir quietinha enquanto eu tenho minhas conversas e discussões acaloradas comigo mesma.

você sabe bem como é a minha necessidade de ter o “meu tempo” e o “meu espaço”. sabe o quanto eu prezo por isso, o quanto preciso disso. você foi a única pra quem eu já contei como funciona a conexão entre meu cérebro e meus passos – às vezes lenta, às vezes precipitada, mas sempre intuitiva.

a verdade é que é difícil ouvir a intuição quando não se está só.

nós duas temos dessa coisa de precisar do silêncio, né? é como se só o silêncio pudesse nos deixar conscientes de que estamos vivas.

aquele silêncio em que nem mesmo a nossa respiração atrapalha. minha repiração é levíssima e silenciosa. a sua, não existe.

externo a nós, dá pra ouvir muitos sons e ruídos. seja da natureza, da cidade se movimentando, do pneu rasgando o asfalto ou até mesmo da música alta que coloco às vezes.

mas não existe interação nossa com o exterior. a interação é só entre eu comigo mesma, e entre eu e você. isso que é o silêncio pra mim.

viajar com alguém além de nós duas foi um teste de paciência. um complexo e instigante teste.

acho que conviver tem disso, né? como faz alguns anos que eu não sei o que é conviver 24 horas com alguém, tinha me esquecido como era.

decisões que eu sempre tomei sozinha, agora foram compartilhadas. desde o lugar pra atravessar a rua até a hora de voltar pra casa. falar ou não falar com alguém e o cardápio do dia.

o silêncio nosso, deixou de existir. minha independência e liberdade, aquela minha mania de só pensar em mim mesma e fazer o que eu tivesse vontade e o que me desse na telha, teve que ficar de lado.

foi uma viagem de transformação. de quebra de paradigmas. de deixar nosso eu intuitivo num cantinho e sair da nossa tão deliciosa zona de conforto.

agora que acabou, estamos sozinhas de novo na poltrona do ônibus. as decisões voltaram a ser nossas (minhas). os silêncios são aqueles deliciosos que estávamos acostumadas.
em minha cabeça há um turbilhao de sentimentos íntimos e dúvidas intermináveis sobre esses sentimentos tão novos.

o que eu mais gosto de ti é que não preciso falar nada pra você me entender. a gente se olha. se toca. se abraça. sei que estamos sozinhas, mas ao mesmo tempo temos uma a outra.

minha companheira de primeira viagem, de próximas viagens. de dia a dia, de desabafos, silêncios, e decisões.

olho pra você de novo. quietinha, descansando, me olhando.

finalmente estamos só nós duas.

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vai ter retrospectiva, simmm!

vou fazer retrospectiva de dois mil e dezesseis simmm e sei que não interessa pra ninguém mas gosto de fazer isso, então beijos. sei que 2016 foi um ano muito bad pro mundo e pro brasil, mas pra mim foi tão amorzinho que acho que posso dizer que é meu ano xodó.

foi a primeira vez que comecei o meu ano longe da família (a apenas alguns quarteirões de distância, confesso). passei a virada junto com as minhas melhores amigas, na praia, muito bêbada. foi como um fechamento de um ciclo muito louco que vivi ano passado. me diverti muito naquela noite e quero repetir a dose nos próximos reveillons (que palavra estranha, não?)!

exatamente uma semana depois dessa noite louca, eu tava viajando rumo à experiência mais incrível que vivi até hoje. tudo começou com o tal hostel star wars e terminou com uma isadora nova.

teve frio na barriga, teve conversa, teve briga, teve abraços e teve eu, que sou tão horrível em fazer novas amizades, fazendo amigos lindos antes de 2016 completar dez dias de existência.

e que amigos, não é mesmo? eu poderia dizer que meu ano valeu totalmente a pena só por ter conhecido essa galera linda, só por ter vivido essa experiência colombiana com eles. todas as barra libres, as aguardientes, os passeios, as viagens de metrô, as noites na plaza, as conversas, os cines al parque, as visitas nos museus, as mamadoras e os chupitos, os abraços, os reggaetons e até mesmo todas brigas fizeram minha experiência valer muito, e me fizeram sentir tanto carinho por aquelas pessoas que eu nem sabia que era possível sentir em um mês e meio.

trabalhar como voluntária, na popular 2, também me transformou. cada dia, segundo, sorriso e abraço me tornou uma pessoa melhor e mudou minha visão de mundo. construí meu amor e admiração por medellín e pelos paisas e isso eu devo 100% a 2016.

daí chegou a hora de voltar pro brasil, pra rotina, pro trabalho, pra faculdade. as coisas estavam mudadas, dentro e fora de mim.

no trabalho foi um ano ok. na faculdade foi um ano ok. e na vida pessoal um ano ok também. parece que não teve nada de extraordinário, mas o resumo da ópera desse ano pra mim foi extraordinário sim! (minha visão sempre otimista e romantizada das coisas me ajuda muito nisso)

além da viagem pra colômbia, outras três viagens me marcaram:

um) primeira vez que pisei em solos nordestinos. só posso dizer que: fortaleza, eu te amo pra caralho. você é linda, suas praias são lindas, suas comidas são deliciosas, suas paredes me arrepiam, seu povo é mais do que especial e tudo que eu vivi nos cinco dias por aí foram muito importantes pra mim!

dois) fim de semana de job muito louco. viagem relâmpago pro rio e pra são paulo. primeira vez sozinha a trabalho. senti cansaço de um jeito que eu nunca tinha sentido antes e não senti ainda depois. misturei trabalho com diversão e com aproveitar uma das cidades que mais amo nesse mundo.

três) e siiiim, teve europa esse ano. primeira vez nesse tal de velho continente. nem consigo expressar o quanto sou grata e privilegiada por ter tido a oportunidade de conhecer paris, londres e barcelona. teve uma leve decepçãozinha com paris, um amor profundo a primeira vista com londres e muito encantamento com barcelona. além de tudo, revi, de novo, minha melhor amiga de infância – desbravei barcelona e me diverti muito com ela (que lembrança maravilhosa a nossa comendo pizza na plaza del sol <3). teve pub crawl em londres com brasileiros incríveis, teve nascer do sol em dia nublado na barceloneta e teve meus primeiros rolês por ruas e vielas em um país que não entendo nada do idioma.

e que mais que teve esse ano? hummm… eu fiz as pazes com meu cabelooooo! ieeeei, talvez não tenha mudado na aparência pra vocês, mas meu cabelo tá tão hidratadinho e tá do jeito que eu sempre quis. passei o ano inteirinho hidratando, nutrindo, restaurando, fazendo no poo, co wash, gastando metade do salário, estourando o cartão de crédito, entendendo como funciona a absorção de nutrientes e percebendo o que eu mais gosto e qual a finalização certa pra eu gostar do meu cabelo. passei por tantos processos, aprendi a cortar ele sozinha e fui tirando tudo até sair o preto que ainda tinha só pra poder pintá-lo de vermelho – e fiz isso semana passada.

comprei minha mochila *———–* uma mochila tão, mas tão linda, que eu mostro pra todo mundo (aliás, o que eu não mostro e conto pra todo mundo, não é mesmo?), uso de travesseiro, amasso, aperto… af, ela é tão linda.

também rolou scmc, depois de quatro anos de quando me inscrevi pela primeira vez e não passei, voltei pra esse projeto lindo. eu renovada, e o projeto renovado também. o design nunca correu nas minhas veias de um jeito tão pulsante. a experiência que o scmc nos proporciona é algo absurdo e surreal, a possibilidade de trocar vivências e aprendizados com meus colegas estudantes de moda e design do estado inteiro me enriqueceu demais. tenho tanto orgulho de participar do scmc, que não cabe em palavras. acho que foi o projeto acadêmico mais fudidamente incrível que tive a oportunidade de participar.

falando em parte acadêmica, apesar de eu ter decidido desistir da facul esse ano (tava mto puxado e eu tava tendo umas crises de stress constantes, melhor dar um tempo!) foi um ano que me fez indagar e questionar muitas coisas. esse mundo da moda não é um mundo muito legal e amigável. ainda tô com mil pulgas atrás da orelha mas tamo aí né. reflexão sempre é bom.

tem algumas outras coisinhas que acho que vale a pena citar: alguns findes em floripa com o fer, ir no show do maroon 5 (eu juro que não gosto, mas foi meu primeiro show internacional, migos), conhecer os caras da fresno, ir em show do nx, aumentar minha listinha de filmes assistidos e para assistir, aumentar minhas playlists no spotify, conhecer um pouquitinho de olinda, porto de galinhas, recife, ficar amiga da lari, aprender a beber cerveja, destruir dois celulares, me apaixonar (mais ainda) por fazer ppt, aproveitar mais meu colegas da faculdade e me divertir demais com eles e aprender a fazer amigurumis ❤

pra finalizar, pode parecer que perto das viagens, dos projetos, das amizades que fiz, isso seja algo muito pequeno. mas se teve algo que fez diferença no meu 2016, foi começar a ouvir podcasts. devo isso 100% ao pedro, que me relembrou dessa mídia maravilhosa e me mostrou uma forma de otimizar as 5 horas diárias que passava indo pra faculdade. começou só nessas horas dentro da van mesmo, mas os podcasts foram expandindo demais o espaço que ocupam dentro da minha vida.

sinto que cresci muito, que aprendi muito e que aumentei minha visão de mundo com as centenas de horas compartilhadas ouvindo esses programas que tanto amo. posso até dizer pra vocês que o sonho da minha vida hoje é que todos meus amigos escutem podcasts também. é reconfortante ouvir a voz da ju wallauer e da cris bartis do mamilos, do mizanzuk do anticast e do projeto humanos, dos meninos do braincast, do daniel alarcón e as histórias maravilhosas do radio ambulante, do filipe e da letícia do nome disso é mundo, e de tantos outros que formam meu feed com cerca de 20 podcasts.

resumindo tudo isso, acho que algumas palavras que tem muito a ver com esse ano são repertório e referência. eu conheci muita coisa nova esse ano, muitos pontos de vista, vi filmes, conversei pra caramba, discuti, debati, ouvi, vi novas realidades, vivi uma nova rotina e isso tudo foi somando demais pro meu repertório e pro meu caderninho de referências (eu fechei quatro caderninhos de anotações esse ano, não é pouca coisa não).

não foi um ano louco, mas foi um ano lindo e que eu amo ter vivido.

talvez o maior aprendizado do ano tenha sido perceber o quanto sou priviligiada por td isso, e por conseguir enxergar essas coisas de forma tão otimista.

e só pra finalizar mesmo, o que mais importa de 2016 é que vai ser pra sempre o ano que a minha priminha nasceu e que eu vi ela pela primeira vez, todo o resto fica pequeniníssimo perto disso. a ana clara é uma das cinco coisinhas mais lindas da minha vida e das que mais enchem meu coração.

terminei meu ano em buenos aires. passei uma virada muito louca que merece um post. uma virada totalmente aleatória. tão aleatória, que tenho medo de “aleatório” ser a palavra do meu 2017.