0

sobre minha habilidade de andar de bicicleta. parte 1

eu ouvi toda a minha infância e adolescência que eu era meio desastrada e sem coordenação motora. ouvia tanto dos outros, quanto de mim mesma.

a bicicleta era uma das principais questões. acho que ninguém da minha família acreditava que eu sabia andar de bicicleta, e nem eu acreditava no fim das contas.

quando marquei minha viagem pra amsterdã, todo mundo dizia que eu ~t i n h a~ que andar de bicicleta por lá, que era pré requisito. bom, eu acho uma chatice quando dizem que eu ~t e n h o~ que fazer algo numa cidade. não tenho que fazer nada, não. vivo e viajo do meu jeito e pronto.

mas com a questão das bicicletas em amsterdã, no fim, concordo um pouquinho que seria massa pra caramba andar por lá.

só que, amigos, andar de bicicleta em amsterdã é uma loucura.

eu, sem coordenação motora nenhuma, sem ter certeza se sei mesmo como pedalar, num trânsito cicloviário absurdo, sozinha, num começo de viagem. bom, a única coisa que eu tinha certeza era que ia dar uma merda grande.

passou o primeiro dia, o segundo, o terceiro.

eu não tive coragem nenhuma e já tava conformada e de boa com o fato de que não ia andar de bici por lá.

no último dia, eu tinha me planejado pra ir dar uma volta no ndsm, que é uma espécie de porto antigo em amsterdam, cheio de grafites em containers velhos e uns lugares super hipsters pra visitar.

obviamente, me perdi no caminho. desci no ponto errado. fui parar em um conglomerado de casas meio hippies, super natureba, sei lá bem explicar o que era. mas tinha muita cooooor e flooor, e eu amei ter me perdido por lá.

não consigo me lembrar bem, mas acho que depois consegui pegar outro ônibus pra me levar pro lugar certo.

e no fim das contas, ndsm foi e é meu lugar favorito de amsterdam, e é a primeira coisa que indico quando me pedem alguma dica, até porque não é um lugar tão citado nos guias de coisas pra fazer na cidade.

enfim, deixa eu voltar pra parte da bicicleta.

depois de caminhar bastante observando os grafites, vendo as pessoas estilosas, acompanhando ensaios fotográficos e ensaios de coral, decidi ir tomar um café e do lado da cafeteria… tcharammmm… um lugar de aluguel de bicicletas.

pensei: esse definitivamente é o lugar ideal pra eu andar de bicicleta em amsterdam. é um campão aberto com muitos lugares de estacionamento.

o aluguel da bicicleta lá era o triplo do aluguel no centro da cidade, mas com certeza era mais seguro pra mim e pros outros.

fechei meia hora com o moço, mesmo tendo que pagar a hora cheia. ele me deu uma bicicleta mais baixinha, de boa pra mim. e lá fui eu com frio na barriga tentar pedalar essa máquina tão bloqueada da minha vida.

com a bicicleta laranja me senti livre. vento na cara, testando velocidades diferentes e habilidades em curvas. usei o freio, lidei com poucos carros e pouquíssimos pedestres.

mas no fim, sim, eu sei andar de bicicleta.

e sim, andei de bicicleta em amsterdam.

 

 

 

 

Anúncios
2

um pézinho lá do outro lado.

img_3163

tenho alguns textos escritos no caderno e outros espalhados por várias páginas de word que quero trazer pra cá. como sou uma blogueira (rindo alto aqui, vamo rir todo mundo junto hahaha) esquisita e relaxada, vou jogar tudo pra cá de uma vez só.

to me sentindo baita injusta por ter escrito vários textinhos de paris, entupido meu instagram com fotos de lá e contado histórias parisienses pros meus papis, e quase não ter falado nada de londres e de barcelona.

barcelona, meus amigos, ah… barcelona é inigualável. cheia de vielas, ruazinhas, esconderijos, artistas de rua, grafites e pixações que amo, a cidade é toda de humanas, toda esquerdopada. como não amar?

as arquiteturas orgânicas de gaudí se misturam com praças e parques que são o contrário de orgânicos (pra mim eles parecem duros, maquinetados, industriais). os milhares de turistas de tudo quanto é canto do mundo deixam lugares escondidos só pra cidade, só pros locais (são as partes mais delícia de barcelona).

não tem nenhum momento em que minha visão não capte alguém vestindo a famosa camisa grená e azul e as varandinhas são lotadas de bandeiras da cataluña. é uma cidade gostosa de estar.

e sobre londres eu não sei o que falar. londres é meu coração em forma de cidade. os oito milhões de habitantes reforçam meu amor pelas maiores cidades do mundo. confusão de pessoas, sotaque britânico, bairro de rock, gente muito amigável.

londres tem aqueles ícones que eu to tão habituada a ver em filmes e imaginar em livros. o motorista na direita, os telefones públicos, as casas de tijolinhos, as ruas e quarteirões fofos demais e o metrô a seis andares abaixo do térreo.

posso enxergar a cartela de cores de londres quando fecho os olhos. foram dois diazinhos por lá que parece que mudaram meus planos pro futuro todinho.

em menos de dez dias conheci paris, londres e barcelona. não que eu ache que a palavra “conhecer” se encaixa bem nas pouquinhas horas livres que tive em cada cidade. mas ainda assim, pisar lá, do outro lado do oceano, foi uma sensação gostosa demais.

quero ver vocês de novo, parisienses, londrinos e catalães. ceis me esperam?