0

walking tour en córdoba.

– hip

– hip

– hip

– de donde sale el humo de las casas?

– chi… me… nea?

– siiiiiiiiiim

– bruxariaaaa

Anúncios
0

só mais uma noite.

IMG_1766.JPG

vam pro bar?

uma cerveja e um mojito.

moços com seu uniforme padrão: terno, cachecol, sapato e óculos moderninho.

moças com meias trocadas e calças curtas.

o ar é familiar e amigável. como disse meu chefe, parece que alguns amigos abriram um bar só pra receber e servir amigos ali.

todos se cumprimentam com um beijo em cada bochecha.

música? tem sim.

decoração bonita e trash? também.

são vinte e três horas e quarenta minutos e um moço, também com seu uniforme francês, senta-se na mesa ao lado e abre o jornal pra ler as notícias do dia.

ao mesmo tempo, do outro lado do ambiente escuro, uma estante entulhada de livros são analisados pro um grupo de jovens.

só mais uma noite normal de um bar qualquer em paris.

0

uma única noite londrina.

sem-titulo-1

ouvi dois moços falarem um idioma diferente. não era inglês… ou talvez fosse um inglês com um sotaque carregado. de dreads no cabelo, mas com um estilo bastante europeu. qual idioma será que eles estão falando?

em alguns momentos senti ter ouvido português, mas ouvindo com mais atenção parece que não é não…

ou será que é?

enfim, to preocupada com o que vou fazer em seguida… comprei uma entrada pra um pubcrawl, mas não tenho mapa pra ver onde fica o bar/ponto de encontro.

desci em uma estação super distante. sinto que sou a única mulher andando essa hora sozinha por aqui e cara, não sei mais o que é medo ou o que é frio na barriga.

procuro meu ticket pra entrar de novo no metro, passo pela catraca e aqueles dois moços estão bem atrás de mim.

não entendo direito o que eles falam, mas com certeza agora dá pra ouvir o bom português. português brasileiro, português baiano inclusive.

“ahhhh, ceis são brasileiros, ainda bem que achei vocês, to perdida!!!”

marcos e natan tão indo pro mesmo pub crawl que eu. os assuntos desenrolam rápido e fácil. músicos, viajando pela europa, entusiasmados, baianos, gente boa, só good vibes.

natan tá fazendo doutorado em música, acho que eles devem ser bem mais velhos que eu.

no primeiro bar, a primeira dose. uma cerveja cada um, dividimos a segunda e a terceira. tem uns moços de liverpool e uma moça estadunidense no acompanhando no pubcrawl.

o próximo bar é cubano. reggaeton, ahhhh como é bom ouvir!

“te lo vas a caer, te lo digo mujer, eh ah”

mais shot, uma rodada de drinks pagos pelos liverpoolinos.

paramos na conveniência antes do próximo bar. cerveja. pego um chocolate, porque acho que já to passando da conta (ainda mais sozinha em camden).

próximo bar, mais shot, mais cerveja. banheiro. banheiro é sempre meu termômetro pra eu ver o quanto to bêbada. (acho que to bastante).

próximo bar, balada final. natan disse que o bar é top! Sim, ele disse top.

entramos e tequila!

banheiro.

balada esquisita… os meninos tão animados, mas eu… já são duas da manhã e amanhã eu trabalho, é a minha desculpa.

ainda não sei como vou voltar pro hotel

“meninos, foi maravilhoso ter encontrado vocês no metro, obrigada demaaaaaaaais pela companhia hoje, mas eu tenho que ir…”

“nãaaao, fica mais um pouco…”

vou ficar não. abraço. bora comer e ver como vou pra casa.

a saída é confusa, faz frio.

tem um moço na minha frente. “heey”

falo algumas palavras em inglês com ele mas não faço a menor ideia de como é que ele tá me entendendo, porque minha pronúncia é horrível. ele é francês, tá a pouco tempo em londres.

tento falar que acabei de vir de paris mas me atrapalho demais com as palavras. de alguma forma ele entende que eu não tenho como ir pra casa. tiro um mapa do meu bolso e mostro a localização do meu hotel.

mostro também meu ticket do metro

“it will work now? or it was just until midnight?” (percebam a maravilhosa conjugação dos verbos)

ele me fala que não sabe, mas que podemos tentar.

vamos à caça de ônibus pra eu voltar pro hotel. tento explicar que eu posso ir de taxi, mas essa parte ele não me entende e insite que é melhor ir de ônibus. encontramos um ideal, agora é hora de dar tchau e esperar no ponto até chegar o número duzentos e vinte e quatro.

tenho um por cento de bateria no celular, ele pega do meu bolso e escreve seu nome no bloco de notas. não sei exatamente o que ele tá falando, mas acho que é pra eu adicioná-lo no fb e avisar quando chegar em casa.

o moço francês segue seu caminho e eu vou ficar aqui fingindo que to esperando ônibus. quando perco ele de vista vou à caça do que realmente importa pra mim: comida.

achei um subway e to andando procurando taxis ao mesmo tempo que devoro o sanduiche. minha cara deve estar toda lambuzada.

camden é tão maravilhoso!!!!!

peço ajuda pra mil pessoas pelo caminho. um segurança tá rindo agora da minha cara, falando que eu não devia conversar com estranhos, afff!!

achei um taxi vazio.

abro o mapa na cara do cara e aponto a prince square. ele topa me levar (sim, os taxistas escolhem se vale a pena a viagem ou não).

“credit card?”

yes, yes.

tchau, camden 😦

0

treze anos.

img_2144

enquanto andávamos infinitamente em um outlet muito fofinho, alguns pingos de chuva começam a cair. são pingos tão fracos, suaves e aleatórios que acho difícil chamá-los de chuva.

mesmo assim, vejo muitos tirarem suas capas das mochilas e vendedores aparecerem oferecendo guarda-chuvas. recusamos e continuamos andando. sinto o friz do meu cabelo crescendo passo a passo.

quando chega a hora de voltarmos para o centro de paris, o sol aparece e o céu está o mais limpo desde que pisei em solo europeu.

o trem da volta tem dois andares. me acomodo perto da janela no segundo piso.

no caminho, passamos por bairros residenciais inconfundivelmente parisienses.

abro meu caderno rosa pink com desenhos de oreo que comprei em medellín e pego minha lapiseira num tom mais claro de rosa.

o caderno é uma espécie de diário, onde intercalo crônicas diárias e lamentos juvenis.

recosto minha cabeça na janela fria do trem, respiro fundo e sinto um cheiro que reconheço como “fragrância europeia”. olho pro céu agora limpo.

a ideia é usar os quarenta minutos “perdidos” dentro do trem para desangustiarme escrevendo desabafos inúteis e adolescentes.

escrevo sobre os incômodos de um coração que era pra ser meu, mas que acho que foi trocado pelo de uma menina de treze anos.

o idioma falado às minhas costas deixa o clima com um ar romantizado e melancólico. e não, eu não acho que isso seja bom.

por sorte, as pessoas que entram no trem me distraem, ao mesmo tempo em que encantam.

nosso caminho agora passa por indústrias e túneis, deixando pra trás as paisagens típicas de filmes e séries que eu costumava assistir. fecho o caderno. converso com meu chefe sobre o nosso itinerário pro resto do dia (já são três e meia da tarde aqui).

arco do triunfo e champs elysee, ele me diz.

meu coração um pouco mais calmo, deixa espaço pros ouvidos e pro cérebro agirem.

desceremos na próxima estação:

charles de gaulle etoille.

0

a torre.

IMG_2109.JPG

kfc.

mapa.

metrô.

me distraio imitando o moço do metrô e repetindo o nome de cada estação.

bonne nouvelle.

grands boulevards.

lafayette.

saint philippe du roule.

alma marceau.

trocadéro.

é agora né?

descemos do metrô. subimos a estação.

um, dois, três passos.

vendedores ambulantes com torres que piscam.

é agora né?

meu chefe começa: cinco… quatro… três… dois… um…

fazemos a curva, e lá está ela.

respira…

ok, acho que to em paris.

0

misturando palavras pra tentar ser engraçada.

img_2098

hipoteticamente, fecho os olhos.

não hipoteticamente, começo a caminhar.

a partir do momento que coloquei meu dedo indicador direito para fazer a leitura da digital e ser liberada das nove horas e quarenta e oito minutos que passei sentada pesquisando gifs legais para assinar meus emails, o medo de voltar pra casa voltou a me assombrar.

acho que a última visita que recebi foi há duas semanas. não por acaso, isso coincide com a última vez que arrumei minha cama, varri o chão ou lavei as louças na pia.

o medo de encontrar um monstro saindo debaixo da montanha de roupas (também conhecida como meu armário) faz minha respiração pesar mais a cada passo que dou em direção ao portão da empresa.

“pra onde eu vou hoje?”

com a mochila velha do meu pai nas costas, minha bolsa carteiro no ombro e as mãos guardadas nos bolsos do casaco laranja berrante, fixo meus olhos nas manchas roxas de respingo de açaí na blusa branca:

fome.


hoje fiz alguns vídeos estilo youtuber pra um projeto. consegui me observar por outros ângulos, e acabei chegando à conclusão que meu rosto parece bastante mais redondo do que a última lembrança que eu tinha dele.

fora temer isso, as mangas da minha camiseta tamanho m entupidas pelos meus braços gordinhos e a minha postura cansada me levaram a fazer uma retrospectiva de como tenho levado a vida ultimamente. – ou talvez de como tenho comido a vida ultimamente.

com esse pensamento, decidi que ia começar a pensar na alimentação focando em saúde, economia e em umas gorduras a menos.


em vez de continuar o caminho reto e ir pro espaço (casa?) que agora divido com um monstro, viro a esquina e vejo o ônibus chegando no ponto.

corro de maneira desengonçada e aceno pro motorista me esperar.

passo os minutos seguintes sentada olhando pela janela e tentando encontrar uma resposta pro dilema da minha vida hoje.

“pra onde eu vou?”

em determinado momento, vejo uma parada de ônibus que me parece amigável. levanto repentinamente, aperto o botão e luto para não me desequilibrar.

com a cabeça vazia vou caminhando sem direção certa.

fome.


eu não paguei minhas últimas duas parcelas de condomínio e acho que a mensalidade da faculdade venceu ontem.

não sei se tenho dinheiro na conta e nem quero olhar.

preciso economizar, por isso – e só por isso -, passo reto pela barraquinha de healthy food e pela verdureira da esquina.


vejo vitrines que não me dizem nada. atravesso a rua infinitas vezes para ver algo aparentemente mais interessante que está do outro lado. dou voltas aleatórias em quarteirões aleatórios.

leio placas, nomes, títulos de livros, indicações técnicas gravadas em eletrônicos, pixações, informações inúteis em santinhos de políticos.

caminho mais um pouco tentando decifrar a vontade do meu paladar.

acho que quero pipoca.

fome.


chego no único shopping da cidade e me decepciono ao sentir a falta da barraquinha de pipoca que costumo ver por lá.

me rendo, e decido entrar no shopping, ouvindo vozes confusas na minha cabeça:

“que tal ver se o milkshake do bobs continua igual?”

“ahh, mas um whopper cairia tão bem”

“uhmmm, e essa torta de chocolate”


contrariando tudo, eu, hipoteticamente, fecho os olhos e quando, hipoteticamente, os abro me vejo na fila de um restaurante oriental.

um ou outro sushi não vão me fazer mal, e nem vai sair tão caro, tenho certeza…

fecho os olhos de novo, e quando os abro, me vejo digitando a senha do cartão de crédito na maquininha que marca em torno de trinta e dois reais.

ok, agora já foi…


quando como metade de todo o conteúdo que tinha jogado em cima do prato, o peso na consciência começa a bater… o estômago vai ficando cheio e começo a dar esporros mentais pra mim mesma.

depois de colocar o último hot roll na boca e mastigar sentindo o gosto que tanto amo, só consigo pensar que quero mais.


olho pro relógio, e tenho que correr pra pegar o último ônibus em horário seguro pra ir pra casa.

antes disso, uma passadinha no cinema. na bomboniere do cinema.

uns vinte minutos perdidos pensando se pego o tamanho curto, médio ou longo.

“doce ou salgada?”

“pode colocar as duas?”

0

buquê.

chuvoso

em um dia aleatório, nublado e chuvoso, saio de casa e vou caminhando em direção ao centro.

é um dos meus passatempos.

caminho pela rua quinze e por suas dúzias de transversais, entrando de loja em loja superficialmente. falo sozinha. alto. meus pensamentos voam para longe, bem longe.

isso deve ser coisa da minha provável lua em peixes, pensaria minha neta mais tarde.

meu ritmo é lento.

meu pensamento por vezes vai tão longe, que eu deixo de perceber o que acontece à minha volta.

vultos passam por mim. perco minutos olhando uma vitrine sem realmente raciocinar sobre os produtos que estão sendo expostos. caminho de cabeça baixa e decido voltar para casa.

passo reto pela rua onde devo entrar para ir pra casa. quero dar uma passada no supermercado.

caminhando desse mesmo jeito, com a cabeça baixa mas a mente na lua, me surpreendo com um menino apontando um buquê de flores na minha cara. o buquê deve estar o um ou dois centímetros de distância do meu nariz.

pela minha olhada rápida, no mínimo, ele deve ter um quinto da minha idade.

“que que é isso menino, o que você quer?”

“é aniversário da minha namorada, eu quis fazer uma surpresa pra ela… mas ela me deu um bolo”

“mas o que eu tenho a ver com isso?”

“simpatizei com a senhora, quero dar o buquê pra ti.”

a cara do menino me faz partir o coração, mas tenho dúvidas da história que ele me conta. o buquê é lindo, deve ter custado uns bons dinheiros.

“mas você não tem mãe, não tem vó? dá esse buquê pra elas!!”

“eu não quero mais ficar aqui, não quero mais ficar com as flores, to dando pra senhora!”

nessa hora o menino me abraça e me dá um beijo carinhoso na bochecha. não tenho certeza do que fazer, não é o tipo de coisa que me acontece todos os dias.

fico até mesmo com medo de que tenha alguma bomba dentro do buquê, já que estamos com essa onda de terrorismo que não para de passar na tv. mas decido aceitar o agrado do menino e continuar, mesmo que receosamente, o meu caminho.

agradeço, ainda desconfiada, e vou em direção ao supermercado sem saber direito o que pensar. depois de alguns passos, olho pra trás e lá está o menino sentado no ponto de ônibus, cabisbaixo como se nunca.

me dá pena.

mas logo me vejo novamente submersa em mil e um pensamentos. qual história vou contar pro meu marido quando chegar em casa com um buquê lindo desses?

 

 

 

*tentativa de criar narrativas a partir de outros olhares, outras vivências. não ta fácil 😦