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sobre minha habilidade de andar de bicicleta. parte 1

eu ouvi toda a minha infância e adolescência que eu era meio desastrada e sem coordenação motora. ouvia tanto dos outros, quanto de mim mesma.

a bicicleta era uma das principais questões. acho que ninguém da minha família acreditava que eu sabia andar de bicicleta, e nem eu acreditava no fim das contas.

quando marquei minha viagem pra amsterdã, todo mundo dizia que eu ~t i n h a~ que andar de bicicleta por lá, que era pré requisito. bom, eu acho uma chatice quando dizem que eu ~t e n h o~ que fazer algo numa cidade. não tenho que fazer nada, não. vivo e viajo do meu jeito e pronto.

mas com a questão das bicicletas em amsterdã, no fim, concordo um pouquinho que seria massa pra caramba andar por lá.

só que, amigos, andar de bicicleta em amsterdã é uma loucura.

eu, sem coordenação motora nenhuma, sem ter certeza se sei mesmo como pedalar, num trânsito cicloviário absurdo, sozinha, num começo de viagem. bom, a única coisa que eu tinha certeza era que ia dar uma merda grande.

passou o primeiro dia, o segundo, o terceiro.

eu não tive coragem nenhuma e já tava conformada e de boa com o fato de que não ia andar de bici por lá.

no último dia, eu tinha me planejado pra ir dar uma volta no ndsm, que é uma espécie de porto antigo em amsterdam, cheio de grafites em containers velhos e uns lugares super hipsters pra visitar.

obviamente, me perdi no caminho. desci no ponto errado. fui parar em um conglomerado de casas meio hippies, super natureba, sei lá bem explicar o que era. mas tinha muita cooooor e flooor, e eu amei ter me perdido por lá.

não consigo me lembrar bem, mas acho que depois consegui pegar outro ônibus pra me levar pro lugar certo.

e no fim das contas, ndsm foi e é meu lugar favorito de amsterdam, e é a primeira coisa que indico quando me pedem alguma dica, até porque não é um lugar tão citado nos guias de coisas pra fazer na cidade.

enfim, deixa eu voltar pra parte da bicicleta.

depois de caminhar bastante observando os grafites, vendo as pessoas estilosas, acompanhando ensaios fotográficos e ensaios de coral, decidi ir tomar um café e do lado da cafeteria… tcharammmm… um lugar de aluguel de bicicletas.

pensei: esse definitivamente é o lugar ideal pra eu andar de bicicleta em amsterdam. é um campão aberto com muitos lugares de estacionamento.

o aluguel da bicicleta lá era o triplo do aluguel no centro da cidade, mas com certeza era mais seguro pra mim e pros outros.

fechei meia hora com o moço, mesmo tendo que pagar a hora cheia. ele me deu uma bicicleta mais baixinha, de boa pra mim. e lá fui eu com frio na barriga tentar pedalar essa máquina tão bloqueada da minha vida.

com a bicicleta laranja me senti livre. vento na cara, testando velocidades diferentes e habilidades em curvas. usei o freio, lidei com poucos carros e pouquíssimos pedestres.

mas no fim, sim, eu sei andar de bicicleta.

e sim, andei de bicicleta em amsterdam.

 

 

 

 

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coisas legais que fiz esse ano.

não termino 2017 com a sensação de: porra, que ano.

mas a real é que eu fiz coisa legal pra caralho e to aqui tentando olhar pelo lado bom, xâ eu listá pra ver se convenço a mim mesma que o ano foi bom.

  • viajei pra argentina com a cami.
  • passei a virada do ano sozinha no meio de um montão de desconhecidos de vários países.
  • comi pizza com desconhecidos.
  • visitei museu de antropologia de córdoba.
  • tive muitas discussões, filosofias e amor com a minha melhor amiga.
  • entrei de penetra em uma festa francesa em buenos aires.
  • assisti la bomba del tiempo.
  • viajei pra sp e rio com o pessoal do scmc.
  • dei rolê autenticão na pedra do sal.
  • visitei o museu do amanhã.
  • visitei uma das marcas mais inspiradoras do brasil, a farm.
  • comecei um curso de teatro.
  • tomei cerveja num rolê nostálgico e delicioso com o fer e a jé.
  • conheci a suzi, duda, adriel, cami, luís e tanta gente legal através do teatro.
  • fiz a travis, construí figurino.
  • quebrei preconceitos de idade.
  • fiz vários exercícios teatrais que me fizeram descobrir muito sobre mim mesma.
  • li a casa dos espíritos.
  • assisti uma porrada de bons filmes.
  • consegui seguir minha regrinha de 1:1:1.
  • comecei a fazer terapia e comecei a enxergar eu mesma com outros olhos.
  • viajei pro japão!!!!!!!!!!!!!
  • atravessei a rua no cruzamento de shibuya.
  • comi sushi de cavalo.
  • viajei pra nova york e fiquei num apê bonitíssimo pelo airbnb.
  • vi neve pela primeira vez de adulta.
  • fui responsável pela viagem da empresa pela primeira vez.
  • ganhei mais responsabilidades no trabalho.
  • aprendi várias ferramentas pra me organizar e pra criar melhor.
  • me viciei em as telefonistas haha.
  • fiz duas tatuagens.
  • parei de comer carne.
  • pintei o cabelo de várias cores.
  • dei rolê em sp com o zé ❤
  • dei rolê em curitiba com o lucas e outro com a ba ❤
  • assisti 3 shows do nx zero. vi a minha banda favorita da adolescência acabar.
  • assisti incompleta ao vivo.
  • assisti 3 shows da francisco el hombre, um foi num rolê delicioso sozinha no qual conheci duas minas incríveis e passei a noite dormindo em cadeirinha de praia na joaquina. o outro foi um rolê lindíssimo com a bru e a cami.
  • fiz o trabalho da minha vida na facul, com a joana, minha mesclinha.
  • comi quase um quilo de ceviche com o zé.
  • tirei um monte de foto colorida.
  • fumei junto com o ivan.
  • fui pra umas três formaturas de amigos.
  • comprei minha saia azul marinho, e a minha amarelo queimado.
  • descobri que amo usar saia mídi.
  • comprei minha sapatilha amarela e um montão de meias.
  • viajei pra porto alegre e conheci uma galera super legal no hostel.
  • assisti um montão de teatro incríveis, em especial: provisoriamente não cantaremos o amor.
  • vi uma amiga casar. fui no primeiro casamento da minha vida.
  • viajei a trabalho pra visitar clientes sozinha pela primeira vez.
  • tive ótimos momentos com a minha priminha.
  • passei por transformações na família.
  • passei um dia em nova york sozinha, sem ser coisa do trabalho.
  • viajei pra europa sozinha.
  • andei de bicicleta e fumei maconha em amsterdã. encontrei o fer por lá ❤
  • fui no studio warner do harry potter.
  • fiz novos amigos, como o frantiesco <3.
  • experimentei falafel.
  • fui pra uma balada com meus chefes.
  • fiquei no hostel mais legal da vida, em londres.
  • conheci o mina.
  • vivi um romance francês.
  • conheci a casa da lúcia, nossa, que rolês lindos que enchem meu coração!
  • reencontrei a família da lúcia depois de uns 12 anos.
  • conheci espanhóis muito legais em berlim.
  • falando nisso, viajei pela primeira vez pra alemanha.
  • visitei uns mil museus.
  • li um livro em inglês.
  • mudei de sala e de cargo.
  • fiz um montão de playlists que amo no spotify.
  • conheci bandas novas, ritmos novos, músicas novas.
  • maratonei harry potter.
  • acho que em 2017 passei a me enxergar como adulta.
  • descobri muito mesmo sobre mim.

cabô, deu bastante coisinha né? nossa, na real que foi um ano incrível. com vários situações tensas e de desânimo e descoberta pra mim, mas ao mesmo tempo com tanta coisa incrível rolando em tantas áreas.

foi um ano conturbado dentro da minha cabeça, tão conturbado que em determinados momentos deixei de enxergar com clareza o que realmente tava acontecendo e eu precisei de muita ajuda pra voltar a enxergar direitinho. tive que fazer escolhas e deixar de lado algumas pessoas e alguns consumos, pra conseguir viver em equilíbrio e em harmonia com as coisas que tinha conquistado até então, com a minha história e com quem eu sou.

de novo, quando visitei a família da lúcia, mais uma porrada de aprendizados sobre gratidão. aprendizados que tenho que ficar reforçando pra mim mesma sempre. talvez em 2018 a meta deva ser praticar mais e mais a gratidão.

gratidão por todas as pessoas incríveis que tenho ao redor, por todas as oportunidades que tenho na vida (que são muitaaaassssss), pelos meus privilégios, pela minha família e por tudo que tenho por aqui. obrigada dois mil e dezessete querido, pelas evoluções, experiências e descobertas. ❤

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mole que nem lámen.

sim sim sim, sei que eu devia falar dessa última viagem. mas o eu quero mesmo é aproveitar o momento pra falar da minha viagem do começo do ano.

eu preciso ter um textinho sobre ela por aqui (ou por qualquer lugar, na verdade).

quero falar do japão. quero repetir essa frase que eu sempre falo quando me perguntam como é o japão.

a verdade é que: mais louco do que o japão, é o sentimento de estar no japão.

quer dizer, tóquio é massa pra caramba (e confesso que seria mais massa – desculpa márcio, se você ler isso, te amo – se eu não tivesse ido com meu chefe). tóquio é gigante, é organizado, é limpo, é respeitoso.

tóquio foi frio pra mim – de clima e não só disso.

tóquio era gigante pra mim, eu me sentia um pontinho de nada. um potinho de nada maravilhado com a imensidão das coisas ao redor.

tóquio era limpo, organizado, respeitoso. frio.

tóquio foi mais ocidental do que eu esperada.

nossa, percebi que eu sinto o gosto de tóquio na minha boca. eu sinto o cheiro.

eu me sinto andando pela multidão de japoneses atravessando as ruas apressados. eu vejo eles acenando com a cabeça, com o tronco, enquanto dizem um oi que eu não entendo.

eu lembro do senhorzinho que atendia no bar perto do hotel, onde eu fiquei sozinha por uma hora e pouco lá pleas duas ou três da madrugada. ele fazia de tudo pra que eu conseguisse entender o cardápio e entender o que ele me dizia. eu não entendia nada.

eu me arrepio lembrando de tóquio. e agora, arrepiada, só agora, é que eu me dou conta do quanto eu gostei de lá.

tava frio. congelante. o jetlag acabou comigo.

ai, o gosto do café da manhã não sai da minha boca.

mas repito: mais louco do que o japão, é a sensação de estar lá.

a sensação de estar do outro lado do mundo. de ter viajado umas trinta e poucas horas divididas entre várias escalas de vôo. a sensação de estar doze horas na frente da minha família e dos meus amigos.

a sensação de que porra, eu to japão sabe?

ainda é meio surreal. cara, que doidera. eu fui pro japão.

fico nervosa de pensar. nervosa de escrever. que doido isso, meu deus. que doido andar pela rua e ver todas as placas desenhadas com símbolos que eu não faço ideia do que querem dizer (e que me parecem tão iguais).

que doido sentir o tempero de tóquio. lámen e tantos outros pratos que eu não vou lembrar o nome.

acordar torcendo pra ter aquele negócio que eu ainda não o nome no café da manhã. enfiar meu hashi no nuggets, mergulhar no ketchup e comer enquato sou julgada por outras pessoas.

ai, e a batata frita com molho diferente (parecia um maracuja picante) que eu comprei no mc??

ai.

que delícia relembrar essas coisas aleatórias que fizeram meu texto não ter nem concordância nem sentido.

tá tudo bem, é como se eu tentasse falar japonês.

ai ai. tóquio.

vc vai me fazer dormir com o coração meio mole viu. e eu nem sabia que meu coração era assim mole por você.

quando a gente vai se ver de novo?

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forcinha extra.

eu voltei de viagem sem nenhum textinho por aqui.

(aliás, faz um tempo que não tem nada por aqui, né).

e o pior é que dessa vez eu tinha história demais pra escrever, reflexão demais pra fazer. mas cadê esses escritos todos?

não tão nos caderninhos, não. não tão em lugar nenhum pra falar a verdade…

e isso é bem ruim, porque poxa: como que eu vou lembrar se na minha memória não posso confiar?

vou fazer assim ó. já que nem tenho tanta coisa pra fazer mesmo (ér… mentira), porque não me lotar com novos desafios?

quero doze textos na minha mesa, pra ontem, dona isadora. três pra cada lugar onde você foi nessa viagem, entendido?

feito!

mas não precisa ser pra ontem não. to feliz se até fim do ano sair metade disso tudo (epa, metade não, tem que sair tudo poxa vida).

tá tá tá. bora escrever um pouco.

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anotações.

a principal função dos cobertores, pra mim, não é me proteger do frio. preciso sentir o peso das cobertas sobre mim pra dormir bem. isso é fundamental.

ta acabando o ano e to preocupada que não vou ter uma agenda da monoblock pra dois mil e dezoito. e agora? ix.

talvez se eu tivesse mais dinheiro sobrando ia comprar as coleções inteiras da monoblock. talvez eu devesse trabalhar tendo isso como maior meta e sonho. talvez…

qual o sentido do spotify em colocar enanitos verdes, jorge drexler e tan biônica numa mesma playlist? não sei, mas gosto.

gosto de falar sobre no poo e rotinas capilares.

às vezes crio umas paixões platônicas só pra resolver minhas carências. e resolvem.

quando vou terminar cien años será?

to odiando ter internet em casa. ou talvez eu esteja odiando não ter auto controle e conseguir dormir cedo…

 

boa noite 🙂

 

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questões pra rankear.

tenho algumas questões não resolvidas que poderiam facilmente ser trabalhadas numa sessão de terapia.

como dei uma pausa nas idas à psicóloga, tenho que tentar resolver por conta própria (ou enchendo os ouvidos da lari com minhocas, devaneios e borboletas).

eu até que to me saindo bem, converso comigo mesma do jeito que falo com a psicóloga e tento fazer perguntas no estilo das que ela faz. além de ficar procurando outras atitudes que já tive ou sentimentos meus que se co-relacionem com o que eu to tentando resolver.

tipo, tava com uns probleminhas em relação a criar expectativas (quem sempre né?), em relação a querer ser de um jeito diferente do que realmente sou, etc. e fui pensando, amarrando nós, desamarrando, até que meio que resolvi.

mas o que acontece é que hoje encontrei outra questão pra resolver. essa não tem só a ver com a minha relação comigo mesma e com o mundo, mas tem também a ver com a relação do mundo com ele mesmo. eu quero mesmo divagar sobre essa questão, enxergar vários ângulos, entender o que se passa comigo, e vou aproveitar pra analisar isso tudo aqui. vamo vê no que dá.

hoje no teatro fizemos várias esquetes inspiradas em notícias de jornal. eram temas bem amplos e diferentes. mal terminamos de apresentar, e um amigo meu me perguntou qual eu mais tinha gostado.

repassei todas as cenas na minha cabeça, incluindo a minha, pensei nos pontos altos e baixos que eu tinha julgado em cada uma, tentei lembrar do que eu senti enquanto assistia, no quanto cada uma tinha me tocado.

no fim, não cheguei a nenhuma conclusão que me permitisse dar uma resposta a ele. falei então que eu tinha dificuldades em “rankear” as coisas. ele me disse que ele tinha dificuldades em não “rankear” as coisas.

(entendam “rankear” como “fazer um ranking”. dizer que gostei mais dessa, depois dessa, depois daquela. ou mais dessa e menos dessa. etc.)

essa conversinha me incomodou bastante. primeiro eu achei que era triste ele precisar rankear tudo (triste, errado, feio, escroto). depois eu achei que o que era tristeerradofeioescroto era eu achar isso da necessidade/mania dele.

será que na verdade eu não tava me incomodando com a fala do meu amigo porque não queria que a minha esquete entrasse nesse “ranking” dele e ficasse pra baixo? será que o fato de eu não gostar de rankings tem a ver com as minhas inseguranças? com meu medo de perder, com meu medo de não ser ~a melhor~?

faz pouco tempo eu escrevi outro texto aqui sobre competições. sobre como eu amo competir e sobre como tenho zero problemas com perder. sou uma boa perdedora, mesmo. não faz sentido eu me incomodar com rankings por insegurança, nesse caso, não é? jã que eu não tenho problemas com perder né? não sei. faz sentido? to confusa.

a verdade é que a minha relação com competições, comparações e rankings é bem confusa. beeeeem confusa. to aqui tentando resolver.

voltando à situação de hoje e tentando enxergar por outro ângulo:

a pergunta que o adriel me fez “qual você gosta mais?” é a mesma pergunta que eu escuto desde que eu tenho sete anos de idade e que vim morar aqui. “qual você gosta mais, brasil ou argentina?”

por que caralhos eu tenho que escolher entre meus dois países? por que eu tenho que gostar mais de um do que de outro?

quando eu penso nas alegrias e maravilhas que o brasil tem, meu outro lado do coração logo me mostra todas as alegrias e maravilhas da argentina. e quando lembro das coisas que não gosto tanto em um dos países, logo me lembro das que não gosto tanto do outro.

esses gostares e não gostares estão em perfeito equilíbrio? não, não estão. mas será que o fato dessa gangorra pender mais pra um lado do que pro outro significa que eu possa encher minha boa e dizer que gosto mais de um?

eu to constantemente mexendo nas caixinhas de gostares das coisas, até porque to constantemente mudando meu jeito de ver o mundo, então essas caixinhas não são estáveis. me sinto injusta de afirmar que gosto mais de algo do que de outro, sendo que nunca vou conseguir essa estabilidade porque nunca vão ser esgotados os pontos vista e as discussões que algo pode me trazer.

veja bem, a questão não é gostar ou não gostar. é ter que rankear as coisas que eu gosto. se eu gosto, é porque tem particularidades únicas, em indeterminadas faces.

eu tenho um filme favorito. mas não me faça dizer se gostei mais desse ou de outros filmes bons, porque os outros tem tantas qualidades que eu simplesmente não posso compará-los.

aí me vem a questão de: como eu escolhi um filme favorito se eu não fiz uma comparação com outros filmes? eu acho que eu só ~senti~ esse filme de um jeito mais forte e profundo do que eu senti os demais. talvez se a gente perguntasse “qual você “sentiu” mais?” a resposta seja mais fácil de achar.

eu tenho clareza de qual foi a cena do teatro de hoje que eu mais “senti”. mas ela foi uma das com menos qualidades cênicas. é injusto eu dizer que “gostei” mais dessa sendo que tinham outras com qualidades cênicas tão melhores. e é injusto eu dizer que “gostei” mais das cenas com melhores qualidades cênicas, sendo que elas me tocaram menos.

e se por um acaso a cena que eu tivesse mais “sentido” fosse também a com mais qualidades cênicas, não seria injusto dizer que foi a que eu mais gostei sendo que as outras tinham particularidades tão únicas, temáticas e técnicas totalmente diferentes?

a lari sempre me zoa que eu falo de todo mundo como se fosse meu melhor amigo. acho que tem a ver com essa história, com a minha dificuldade em escolher um só como o melhor (calma cami, você é a minha melhor amiga). parece isso que tira todas as qualidades dos outros. talvez eu que esteja errada de pensar assim.

já tentei também fazer uma lista decrescente das cidades que eu mais gostei. e é impossível. eu sempre troco a posição delas. eu sempre escolho uma cidade diferente quando me perguntam qual eu gosto mais.

as coisas são tão únicas que, cara, não dá pra rankear sabe? claro que consigo achar mais pontos fortes ou fracos nas coisas. mas às vezes um ponto forte é tão forte que o filme pode ter mil pontos fracos. enquanto outro filme tem mil pontos fortes, e poucos pontos fracos mas não tem AQUELE ponto forte. mas tem os outros mil.

eu pensei em escrever aqui que isso é igual a aquela expressão de que não dá pra comparar maçã com banana. mas eu percebi que a maioria das pessoas facilmente diria que gosta mais de uma fruta do que da outra. aí caiu a ficha que o problema realmente deve ser eu. que não consigo dizer qual gosto mais.

falando desse jeito parece que eu sou indecisa. mas eu não sou muito indecisa não. só tenho problemas em dizer que gosto mais de uma coisa do que da outra, porque eu consigo enxergar qualidades infinitas nessas coisas.

EU TO CONFUSA. talvez tenha que levar isso pra terapia mesmo. ou talvez não faça diferença na minha vida.

mas confesso que a necessidade do meu amigo, que eu enxergo como sendo a necessidade do mundo e da nossa sociedade, de rankear e comparar as coisas continua me incomodando.

talvez eu rankeie as coisas pra caralho sem perceber.

mas continua me incomodando.

 

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só porque eu tava afim de escrever algo.

hoje de manhã me olhei no espelho e me senti tão adulta.

talvez seja porque to usando uma jaqueta jeans da minha mãe e um cachecol do jeito que ela usa. talvez esteja vendo ela refletida em mim, sei lá.

como ta frio, a jaqueta não dá conta e preciso colocar um casaco peruano laranja vivo por cima. lá se foi a adultez…

eu tô cansada-porém-feliz.

hoje a cami vem pra cá. e pra isso, precisei passar a madrugada limpando a casa.

meu apartamento tava tão caótico que pra andar por ele eu tinha que dar passos largos com a ponta do pé, enquanto desviava e tentava não pisar em coisas aleatórias jogadas pelo chão.

fui dormir, às cinco da manhã, com uma sensação de dever cumprido.

“responsabilidades feitas”, pensei.

haa… se fosse responsável mesmo eu não teria três sacos gigantes de lixo acumulado de sabe-se lá quantos meses pra jogar fora.

a mesma sensação senti em outros dois momentos:

– quando consegui reaver uma multa depois de atrasar o pagamento do aluguel.

– quando montei uma planilha linda&perfeita no excel pra me programar pra recuperar as quarenta horas negativas que tenho aqui na empresa.

vê como eu vivo pra remediar irresponsabilidades da minha vida?

fico bastante na dúvida se isso é um ponto a melhorar, um atraso de vida, ou algo que simplesmente faz parte de mim por valorizar mais outras coisas.

o ivan sempre diz que eu sou cabeçuda. sobre eu ser desorganizada… cresci aprendendo que eu era assim. irresponsável? imatura?

eu não sei…

talvez.

mas talvez não veja problemas em ser assim.

digo, eu amo meu caos.

semana passada em um daqueles meus devaneios de conversar sozinha e de conversar com as coisas do meu quarto, comecei a soltar declarações de amor pra montanha de roupas, pros papéis de modelagem espalhados e até pros sacos de retalhos. “eu me sinto bem com vocês aqui”.

as sujeiras da minha casa.

as bagunças da minha cabeça.

 

será que preciso mesmo limpar tudo isso?

 

(o chão do apê tá branquinho, vazio. me sinto sozinha)