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anotações.

a principal função dos cobertores, pra mim, não é me proteger do frio. preciso sentir o peso das cobertas sobre mim pra dormir bem. isso é fundamental.

ta acabando o ano e to preocupada que não vou ter uma agenda da monoblock pra dois mil e dezoito. e agora? ix.

talvez se eu tivesse mais dinheiro sobrando ia comprar as coleções inteiras da monoblock. talvez eu devesse trabalhar tendo isso como maior meta e sonho. talvez…

qual o sentido do spotify em colocar enanitos verdes, jorge drexler e tan biônica numa mesma playlist? não sei, mas gosto.

gosto de falar sobre no poo e rotinas capilares.

às vezes crio umas paixões platônicas só pra resolver minhas carências. e resolvem.

quando vou terminar cien años será?

to odiando ter internet em casa. ou talvez eu esteja odiando não ter auto controle e conseguir dormir cedo…

 

boa noite 🙂

 

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questões pra rankear.

tenho algumas questões não resolvidas que poderiam facilmente ser trabalhadas numa sessão de terapia.

como dei uma pausa nas idas à psicóloga, tenho que tentar resolver por conta própria (ou enchendo os ouvidos da lari com minhocas, devaneios e borboletas).

eu até que to me saindo bem, converso comigo mesma do jeito que falo com a psicóloga e tento fazer perguntas no estilo das que ela faz. além de ficar procurando outras atitudes que já tive ou sentimentos meus que se co-relacionem com o que eu to tentando resolver.

tipo, tava com uns probleminhas em relação a criar expectativas (quem sempre né?), em relação a querer ser de um jeito diferente do que realmente sou, etc. e fui pensando, amarrando nós, desamarrando, até que meio que resolvi.

mas o que acontece é que hoje encontrei outra questão pra resolver. essa não tem só a ver com a minha relação comigo mesma e com o mundo, mas tem também a ver com a relação do mundo com ele mesmo. eu quero mesmo divagar sobre essa questão, enxergar vários ângulos, entender o que se passa comigo, e vou aproveitar pra analisar isso tudo aqui. vamo vê no que dá.

hoje no teatro fizemos várias esquetes inspiradas em notícias de jornal. eram temas bem amplos e diferentes. mal terminamos de apresentar, e um amigo meu me perguntou qual eu mais tinha gostado.

repassei todas as cenas na minha cabeça, incluindo a minha, pensei nos pontos altos e baixos que eu tinha julgado em cada uma, tentei lembrar do que eu senti enquanto assistia, no quanto cada uma tinha me tocado.

no fim, não cheguei a nenhuma conclusão que me permitisse dar uma resposta a ele. falei então que eu tinha dificuldades em “rankear” as coisas. ele me disse que ele tinha dificuldades em não “rankear” as coisas.

(entendam “rankear” como “fazer um ranking”. dizer que gostei mais dessa, depois dessa, depois daquela. ou mais dessa e menos dessa. etc.)

essa conversinha me incomodou bastante. primeiro eu achei que era triste ele precisar rankear tudo (triste, errado, feio, escroto). depois eu achei que o que era tristeerradofeioescroto era eu achar isso da necessidade/mania dele.

será que na verdade eu não tava me incomodando com a fala do meu amigo porque não queria que a minha esquete entrasse nesse “ranking” dele e ficasse pra baixo? será que o fato de eu não gostar de rankings tem a ver com as minhas inseguranças? com meu medo de perder, com meu medo de não ser ~a melhor~?

faz pouco tempo eu escrevi outro texto aqui sobre competições. sobre como eu amo competir e sobre como tenho zero problemas com perder. sou uma boa perdedora, mesmo. não faz sentido eu me incomodar com rankings por insegurança, nesse caso, não é? jã que eu não tenho problemas com perder né? não sei. faz sentido? to confusa.

a verdade é que a minha relação com competições, comparações e rankings é bem confusa. beeeeem confusa. to aqui tentando resolver.

voltando à situação de hoje e tentando enxergar por outro ângulo:

a pergunta que o adriel me fez “qual você gosta mais?” é a mesma pergunta que eu escuto desde que eu tenho sete anos de idade e que vim morar aqui. “qual você gosta mais, brasil ou argentina?”

por que caralhos eu tenho que escolher entre meus dois países? por que eu tenho que gostar mais de um do que de outro?

quando eu penso nas alegrias e maravilhas que o brasil tem, meu outro lado do coração logo me mostra todas as alegrias e maravilhas da argentina. e quando lembro das coisas que não gosto tanto em um dos países, logo me lembro das que não gosto tanto do outro.

esses gostares e não gostares estão em perfeito equilíbrio? não, não estão. mas será que o fato dessa gangorra pender mais pra um lado do que pro outro significa que eu possa encher minha boa e dizer que gosto mais de um?

eu to constantemente mexendo nas caixinhas de gostares das coisas, até porque to constantemente mudando meu jeito de ver o mundo, então essas caixinhas não são estáveis. me sinto injusta de afirmar que gosto mais de algo do que de outro, sendo que nunca vou conseguir essa estabilidade porque nunca vão ser esgotados os pontos vista e as discussões que algo pode me trazer.

veja bem, a questão não é gostar ou não gostar. é ter que rankear as coisas que eu gosto. se eu gosto, é porque tem particularidades únicas, em indeterminadas faces.

eu tenho um filme favorito. mas não me faça dizer se gostei mais desse ou de outros filmes bons, porque os outros tem tantas qualidades que eu simplesmente não posso compará-los.

aí me vem a questão de: como eu escolhi um filme favorito se eu não fiz uma comparação com outros filmes? eu acho que eu só ~senti~ esse filme de um jeito mais forte e profundo do que eu senti os demais. talvez se a gente perguntasse “qual você “sentiu” mais?” a resposta seja mais fácil de achar.

eu tenho clareza de qual foi a cena do teatro de hoje que eu mais “senti”. mas ela foi uma das com menos qualidades cênicas. é injusto eu dizer que “gostei” mais dessa sendo que tinham outras com qualidades cênicas tão melhores. e é injusto eu dizer que “gostei” mais das cenas com melhores qualidades cênicas, sendo que elas me tocaram menos.

e se por um acaso a cena que eu tivesse mais “sentido” fosse também a com mais qualidades cênicas, não seria injusto dizer que foi a que eu mais gostei sendo que as outras tinham particularidades tão únicas, temáticas e técnicas totalmente diferentes?

a lari sempre me zoa que eu falo de todo mundo como se fosse meu melhor amigo. acho que tem a ver com essa história, com a minha dificuldade em escolher um só como o melhor (calma cami, você é a minha melhor amiga). parece isso que tira todas as qualidades dos outros. talvez eu que esteja errada de pensar assim.

já tentei também fazer uma lista decrescente das cidades que eu mais gostei. e é impossível. eu sempre troco a posição delas. eu sempre escolho uma cidade diferente quando me perguntam qual eu gosto mais.

as coisas são tão únicas que, cara, não dá pra rankear sabe? claro que consigo achar mais pontos fortes ou fracos nas coisas. mas às vezes um ponto forte é tão forte que o filme pode ter mil pontos fracos. enquanto outro filme tem mil pontos fortes, e poucos pontos fracos mas não tem AQUELE ponto forte. mas tem os outros mil.

eu pensei em escrever aqui que isso é igual a aquela expressão de que não dá pra comparar maçã com banana. mas eu percebi que a maioria das pessoas facilmente diria que gosta mais de uma fruta do que da outra. aí caiu a ficha que o problema realmente deve ser eu. que não consigo dizer qual gosto mais.

falando desse jeito parece que eu sou indecisa. mas eu não sou muito indecisa não. só tenho problemas em dizer que gosto mais de uma coisa do que da outra, porque eu consigo enxergar qualidades infinitas nessas coisas.

EU TO CONFUSA. talvez tenha que levar isso pra terapia mesmo. ou talvez não faça diferença na minha vida.

mas confesso que a necessidade do meu amigo, que eu enxergo como sendo a necessidade do mundo e da nossa sociedade, de rankear e comparar as coisas continua me incomodando.

talvez eu rankeie as coisas pra caralho sem perceber.

mas continua me incomodando.