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só porque eu tava afim de escrever algo.

hoje de manhã me olhei no espelho e me senti tão adulta.

talvez seja porque to usando uma jaqueta jeans da minha mãe e um cachecol do jeito que ela usa. talvez esteja vendo ela refletida em mim, sei lá.

como ta frio, a jaqueta não dá conta e preciso colocar um casaco peruano laranja vivo por cima. lá se foi a adultez…

eu tô cansada-porém-feliz.

hoje a cami vem pra cá. e pra isso, precisei passar a madrugada limpando a casa.

meu apartamento tava tão caótico que pra andar por ele eu tinha que dar passos largos com a ponta do pé, enquanto desviava e tentava não pisar em coisas aleatórias jogadas pelo chão.

fui dormir, às cinco da manhã, com uma sensação de dever cumprido.

“responsabilidades feitas”, pensei.

haa… se fosse responsável mesmo eu não teria três sacos gigantes de lixo acumulado de sabe-se lá quantos meses pra jogar fora.

a mesma sensação senti em outros dois momentos:

– quando consegui reaver uma multa depois de atrasar o pagamento do aluguel.

– quando montei uma planilha linda&perfeita no excel pra me programar pra recuperar as quarenta horas negativas que tenho aqui na empresa.

vê como eu vivo pra remediar irresponsabilidades da minha vida?

fico bastante na dúvida se isso é um ponto a melhorar, um atraso de vida, ou algo que simplesmente faz parte de mim por valorizar mais outras coisas.

o ivan sempre diz que eu sou cabeçuda. sobre eu ser desorganizada… cresci aprendendo que eu era assim. irresponsável? imatura?

eu não sei…

talvez.

mas talvez não veja problemas em ser assim.

digo, eu amo meu caos.

semana passada em um daqueles meus devaneios de conversar sozinha e de conversar com as coisas do meu quarto, comecei a soltar declarações de amor pra montanha de roupas, pros papéis de modelagem espalhados e até pros sacos de retalhos. “eu me sinto bem com vocês aqui”.

as sujeiras da minha casa.

as bagunças da minha cabeça.

 

será que preciso mesmo limpar tudo isso?

 

(o chão do apê tá branquinho, vazio. me sinto sozinha)

 

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