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filmes que tenho assistido nos últimos tempos. 4

oi.

to numa fase estranha da vida. um vai e volta louco de sentimentos.

indo de momentos de perturbação absoluta pra momentos de paz e serenidade como nunca tinha sentido antes.

tenho milhares de coisas loucas pra falar, conversar, desabafar. mas to rodeada de pessoas especiais com quem posso falar sobre.

tenho centenas de textos começados na cabeça, milhões de frases soltas nos meus quinhentos caderninhos e uma listinha de textos pra escrever. tenho vontade de voltar pra cá com uma crônicazinha ou outra. mas enquanto isso não rola, vamos pra nossa sessãozinha de filmes vistos ultimamente.

(tem muito filme nessa lista omg)

mesmo que eu não tenha assistido mta coisa nos últimos tempos, já faz um tempão desde que escrevi o número 3 dos filmes q tenho assistido. ou seja, a lista ficou gigantona. vamo ve no que vai dar isso aqui hoje.

acabei de ver boyhood. até tenho alguns pontinhos que poderia criticar e problematizar, mas o que quero falar mesmo é que eu amei, eu achei o filme tão extraordinário, tão incrível… é aquela coisa que eu gosto nos filmes né: coisas reais, coisas quotidianas, coisas que espelham a nossa vida. foi lindo acompanhar a vida, o crescimento e amadurecimento do mason como se fosse um espelho da minha própria vida. tem muitas cenas que eu me identifiquei, principalmente da infância deles, das brigas entre irmãos, das referências de cultura pop (tipo wildecats sing along

faz um tempo já que assisti ginger and rosa e é um filme escondidinho no netflix mas muito incrível. protagonizado por mulheres fortes, com roteiro e direção de uma mulher, e acontece em londres. mostra o crescimento e amadurecimento de duas amigas durante a guerra fria. tem militância, feminismo, libertação e filosofias.

e o terceiro que eu gostei mttt e que merece ser citado em um paragrafozinho maior é a garota no trem. não sei exatamente porque eu gostei tanto, não sei como foi a crítica no geral pro filme. porém acho que ser protagonizado por mulheres, jogar na nossa cara tantas coisas de abusos em relacionamentos, e ter aquele suspense daorinha que me deixa com frio na barriga foi o que me fez gostar tanto. gostei da sequência misturada e descontinuada como foi feito o roteiro, eu criei e destruí várias teorias na cabeça enquanto assistia o filme.

ahmmm ta, agora deixa eu pensar (enquanto escrevo sobre esses próximos filmes tem uma pulguinha me dizendo que já escrevi antes sobre, mas não achei nada por aqui então vai saber). do meu querido cinema espanhol, assisti dois extremos: tenemos que hablar, uma comédia bem tipo global sabe? mas bem levinha. e assisti felices 140 que é um dramón pesado e tenso (com a maribel <3). achei engraçado que os dois filmes tem um personagem argentino, carregado daqueles preconceitos e estereótipos deles.

assisti um chileno muito bom, feito todo através de financiamento coletivo, que fala sobre como as coisas são mais fáceis pra quem nasce em família rica e poderosa, o aqui no ha pasado nada. vi também imagining argentina, que conta uma história da ditadura na argentina, mas produzida no estados unidos e com o áudio em inglês – quase desisti quando vi que era assim, mas o filme é bem bomzinho na verdade). e assisti neruda também. muito mais saber mais sobre ele, sua boêmia, sua teimosia, seus erros e suas poesias.

de br assisti colegas e de argentino vi el hijo de la novia (darín <3)

revi será que?, desventuras em série e a bela e a fera.

vi a primeira versão de a fantástica fabrica de chocolate (e  jesus mt melhor).

vi a pele em que habito, apesar de ter demorado quase umas 3 semanas assistindo de 10 em 10 minutos, e to nessa de tentar me familiarizar com os diretores toppp.

tem um outro filme que eu recomendo muito que é um turco que se chama 5 graças. as protagonistas são cinco irmãs de uns 10 a 17 anos, imagino eu, vivendo numa cultura que não lhes dá muita (nenhuma) liberdade de escolha. é muito legal ver como cada uma vai lidando com as imposições, ou não lidando.

como tive muitas horas vôo, e tinham bons títulos na mídia united, consegui me atualizar e ver alguns filmes até de oscar. la la land, manchester by the sea, animais fantásticos e onde habitam, jackie, doctor strange e snowden são alguns dos que vi, mas os que eu mais gostei foram aliados e loving, me envolvi bastante nessas histórias. e também assisti no vôo o clássico grande hotel budapeste.

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Desabafo sobre meu maior medo.

Esse não é um daqueles meus textos despretensiosos e fofos, por isso não tem sentido usar as iniciais minúsculas, os parágrafos e frases curtas, os diminutivos e as expressões de linguagem informal. É um desabafo, como muitos dos meus outros textos por aqui. Mas um desabafo sério.

Eu tive aula hoje de manhã. A ideia era pegar um ônibus as 5h30, mas essa hora não tinha amanhecido ainda então era impensável sair andando pelo meu bairro no escuro. Fui de taxi.

Minha aula era em outra cidade e quando acabou, tive que pegar outro ônibus para a cidade dos meus pais. Minha casa fica relativamente perto da rodoviária, então vou andando. O caminho não é o mais seguro do mundo, meus pais sempre ficam apreensivos quando tenho que passar por uma ponte em questão. Mas já fazem três anos que eu faço esse caminho, inclusive algumas vezes tive que passar por ali a noite, e nunca aconteceu nada. Quer dizer, já passei por algumas situações que me deram um pouco de medo. Minha tática sempre é olhar ao redor, mas manter a cabeça baixa e o rosto fechado. Meu passo é apressado e não fico tranquila até chegar perto de uma área mais movimentada.

Hoje eu tava distraída. Saí do ônibus lembrando de um filme que eu tinha visto. O filme tinha algumas cenas machistas e eu tava debatendo comigo mesma algumas questões do feminismo. Tava criando discursos mentais, lembrando de argumentos e fazendo um paralelo com um quadrinho que li ontem sobre o que é ser mulher.

Para subir naquela ponte, tenho que passar por uma rampa de acesso. A rampa é meio isolada, de um lado tem um muro alto que separa o caminho de um terreno cheio de mato e do outro tem um morro com gramado que vai até a estrada. Quando fiz a curva pra entrar na rampa, que imagino que tenha uns 30, 40 metros de comprimento, vi que vinha um cara atrás de mim.

Apesar de ser um acesso importante e um caminho que leva ao centro, na maioria das vezes que passei por ali eu estava sozinha. Ter um homem andando aqueles 40 metros tão perto de mim não me deixou muito segura não, mas como falei antes, eu tava distraída, ainda tava no debate mental sobre feminismo. Segurei a minha bolsa com as duas mãos e lembrei que meu notebook tava na mochila. “O cara parece normal, acho que não vai me roubar aqui”, lembro que pensei.

Eu não andei mais do que três metros quando comecei a ouvir uns sussurros. Demorei pra perceber o que tava acontecendo. Demorei pra perceber quais palavras estavam sendo ditas. Apertei meu passo e senti o passo do cara acompanhar o meu, as palavras que ele soltava iam ficando mais claras e o meu medo ia aumentando. Olhei pra frente e ainda tinham pelo menos dois terços do caminho pra percorrer, em subida, sendo que lá em cima também não era o lugar mais seguro. Se acontecesse algo, se o cara quisesse que acontecesse algo, eu não ia ter pra onde fugir. Pensei em voltar o caminho, já que ia chegar mais perto pra um lugar movimentado, mas pra isso eu ia ter que passar pelo cara. Eu olhei pra trás pra ver se tinha alguma chance, e foi só então que eu vi que não eram só os sussurros. O cara me olhava, me chamava, e se masturbava enquanto isso.

Passar por ele realmente foi uma opção descartada. Apertei mais ainda o passo, quase correndo até chegar lá em cima. Meu plano era acenar para os carros e pedir alguma ajuda caso ele viesse atrás. Por uma sorte absurda, ele foi ficando pra trás até que, quando cheguei na ponte, ele já tinha sumido de vista.

Por algum privilégio da minha vida, nunca sofri um abuso ou trauma maior. Sei que o que passei hoje não é nem um por cento do que acontece com milhares de mulheres ao redor do Brasil e do mundo todos os dias. Mas ainda assim, foi desesperador. É desesperador.

No resto do meu caminho pra casa, não consegui respirar direito. Senti meu rosto ficar vermelho, queimar, arder, como se eu estivesse morrendo de vergonha. Vergonha? Vergonha de quê? Me senti um objeto, senti minha liberdade ser privada, senti nojo de mim mesma, dos outros, do mundo. A cada homem que passou por mim, eu me encolhi o máximo que pude. Não consegui organizar meus pensamentos direito, meus sentimentos direito.

Lembro que em um dos momentos de raiva, quando já estava entrando na rua de casa, pensei que não tinha como continuar a vida desse jeito. Como eu ia voltar a olhar pros homens da minha vida? Como é possível continuar a viver sendo que você é vista pela sociedade como um objeto descartável? Como eu ia conseguir olhar pra minha mãe, pra minha irmã, pra minha prima, sabendo que elas já passaram ou que um dia irão passar por esse sentimento tão ruim?

Quando contei pra minha mãe, ela me disse que esses caras eram doentes. Não, eles não são. Nossa sociedade é que é doente. Pra eles, a gente não é nada, a gente não significa nada. Seres que só existem para servir, que só são reféns do prazer alheio. Seres que não têm vontades, quereres, vidas.

Mas, na verdade, a gente tem uma vida. E a gente tem que voltar pra ela, como se nada tivesse acontecido. Tive crise de respiração, de choro, de angústia, mas meia hora depois eu tava sorrindo. Contando da semana. Abraçando minha prima. Fingindo que tava tudo bem. E tava? Não tava? Ta? Não ta? Eu não sei.

 

 

Essa semana assisti uma peça em que a gente queimava todos nossos medos. Em um dos momentos, a gente queimou nosso medo de andar na rua sozinhas só por sermos mulheres. Mas depois a gente teve que voltar pro mundo real. Um mundo de medo.