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descobertas musicais da semana.

finalmente fiz um spotify, yeeeeeeeeey!!

já coloquei pra ouvir high school musical, hevo oitenta e quatro, maluma, incubus, the maine, blink, bieber, rico dalasam, beirut… enfim, deu pra ver a bagunça musical que envolve minha vida né?

óbvio que a playlist “descobertas da semana” acabou ficando super bagunçada também. mas no meio de tanta desordem, vieram várias coisas muito legais.

principalmente de rockzinho/indie/pop/folk latino. (não, eu não tenho clara a diferença de um ritmo para o outro, me perdoem).

fui pesquisando as bandas, pulando de artista relacionado para artista relacionado e fui me apaixonando cada vez mais.

no fim, minha listinha de preferidos da semana ficou com três bandas chilenas, uma mexicana e uma bônus.

querem ver ouvir?

um. hotel julieta – sem dúvida, a banda que mais ouvi e que mais me encantou. eu a-m-o a vibe meio dançante dos caras, o vocal arrastado e esse sotaque lindo! os caras são do chile 🙂

dois. mon laferte – preciso falar de duas coisas. um) a cantora é mais do que linda, é apaixonante. dois) esse clipe é amor demais da conta, intimidades contadas de uma maneira leve, gostosa e pessoal. ela também é chilena, de viña 🙂

três. caloncho – único não chileno da listinha, esse moço mexicano é amor puro <3. só eu curto músicas que misturam idiomas? (desde que não anitta + maluma, pfvr)

 

quatro. niño cohete – vamos de chile de novo? eu curti demais os clipes dos moços (e os moços também). inclusive demorei horrores pra escolher qual postar aqui. e as melodias delicinhas então? são amor!

bônus. shotgun wives – faz um tempinho já que conheço a banda e cada vez que escuto me sinto melhor. sou apaixonada pelo folk dos moços de goiânia, a vibe me encanta demais ❤

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os olhos dele.

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quatro de junho de dois mil e dezesseis.

almoço em olinda, com meu chefe e outra colega de trabalho. polvo com molho de mostarda, ou algo do tipo.

restaurante fofo demais. cidade fofa demais.

depois de uma semana e meia viajando – metade do tempo a lazer e a outra metade a trabalho -, eu já estou cansada. muito cansada.

tão cansada que quero voltar pra casa agora. quero passar pelo menos o domingo deitada embaixo de mil cobertas no tenebroso frio que está fazendo em santa catarina nessas épocas.

até tento antecipar o vôo, mas a taxa de mil e oitocentos reais me faz desistir da ideia.

procuro um hostel por recife pra ficar e acabo encontrando o “ramon”, um hostel bar hermoso y muy buena onda, cujos donos são argentinos e cujo objetivo é compartilhar a cultura latinoamericana. imaginem se eu não me apaixono por lá, não é?

me acomodo no quarto enquanto converso com um sanluizeño, e logo deito pra tirar um bom cochilo.

lá pelas sete da noite, decido levantar e ir dar uma voltinha pela beira mar da capital pernambucana, afinal, eu só tenho essa noite por lá.

o tempo ta chuvoso, mas decido ir mesmo assim.

é perigoso? pergunto pro moço do hostel. ele me diz que não.

traço um mapa mental do caminho que tenho que percorrer, passando pela pracinha ‘x’ e chegando na parte mais movimentada da beira mar.

eu gosto muito disso. muito mesmo. disso de dar voltas aleatórias pela cidade, só caminhando, observando e pensando.

a tal da pracinha, por causa do tempo chuvoso da cidade, não está funcionando ao seu esplendor. mesmo assim, alguns moços me oferecem pacotes de viagem, cangas, e diversos outros souvenirs, obtendo um ‘não, obrigada’ como resposta.

na beira mar, a calçada é larga. a rua está um pouco deserta, mais deserta do que eu gostaria.

de quinze em quinze metros tem barraquinha de comida. daqueles tipo quiosques, sabe?

depois de ir e voltar algumas vezes, decido parar em um dos quiosques pra comer uma coxinha. tenho contados quatro reais no bolso. peço a coxinha de quatro reais pro moço e me delicio com uns tantos sachês de ketchup derramados sobre o salgado.

eu costumo comer rápido. em quatro ou cinco mordidas rápidas, já estou quase terminando meu delicioso banquete da noite.

enquanto como, sinto algo de esquisito no ar. coloco os últimos litros de ketchup no último pedacinho da coxinha e levo a mistura à boca ainda sentindo a sensação de ter algo errado por aí.

é aquela sensação de ter alguém me observando, sabe? o que acaba fazendo com que eu olhe ao redor.

é nesse momento, que percebo os olhos dele. sinto os olhos dele.

focados em mim, eles têm uma profundidade que poucas vezes senti antes.

é como se me vissem despida. como se enxergassem somente a minha alma. somente meu esqueleto.

os olhos dele me cercam, permeando entre meus olhos e minhas mãos.

eu não consigo desviar. os olhos famintos, carregados de súplica e de desejo tiram o chão aos meus pés. sinto como se eu fosse a última pessoa no mundo.

eu percebo o que ele quer.

a coxinha.

a coxinha que eu acabei de mastigar e engolir de uma só vez.

“querido, eu não tenho mais nada pra te dar.”

falo com ele com a falha tentativa de ser entendida. a única resposta que recebo é um olhar ainda mais suplicante e carente. meu coração se despedaça.

tento catar todas as moedas soltas em todos os bolsos possíveis, chegando à inacreditável quantia de trinta inúteis centavos.

desisto daqueles olhos, levanto da banqueta em que estou sentada e decido voltar para o hostel.

o olhar ainda me acompanha.

como se não bastasse, ele ainda me acompanha. passo a passo. mais e mais súplica.

agora consigo enxergá-lo melhor. corpo magro e franzino como ninguém. pernas trêmulas que eu não entendo como aguentam o leve peso de seu corpo.

meu olhar pra ele se transforma em perdão e impotência.

“me desculpa, meu amor, me desculpa, eu não tenho mais o que te dar”. resmungo enquanto pessoas passam por mim e me olham como se eu fosse louca.

quando chegamos no próximo quiosque, ele dá umas latidas fracas.

eu respondo com mais resmungos de perdão e ele acaba desistindo de mim.

continuo meu caminho com uma sensação de culpa pesando-me as costas.

 

 

fazem trinta e nove dias desde essa noite.

aqueles olhos ainda estão encravados em mim. será que eles ainda existem? será que eles ainda podem suplicar por algo?

será que eles ainda abrem?