conversas de uma hora de duração.

oi

sou fã de aplicativos de paquera. já tive o tinder, já tive o happn, e ambos sempre me renderam boas risadas. além das risadas, consigo matar um pouca a carência, conhecer gente legal e ter histórias pra contar através do aplicativo.

algumas vezes me cansava da superficialidade que tinha lá, então acabei desinstalando e instalando as apps algumas vezes.

dia desses, ouvi falar do bumble em um podcast e me pareceu interessante – diferente – a proposta.

to em são paulo. cidade onde eu sempre encontro gente legal. depois de formatar meu celular, decidi baixar essa app de abelhinha pra ver como funcionava. no bumble, só a mulher toma a iniciativa e os matchs se desfazem após vinte e quatro horas, caso a gente não puxe papo com a pessoa.

passei por alguns caras, dei alguns matchs, mas a vontade de chamar alguém pra conversar estava abaixo de zero, até porque só fico aqui até sexta.

(só pra contextualizar, eu coloquei no meu perfil uma foto normal da minha cara e outras duas fotos em que eu meio que escondo o rosto – uma com um chapéu de mexicano cobrindo metade da cara e outra onde to segurando luzinhas de natal que dão um efeito iluminado no meu rosto).

lá pelas tantas, apareceu um moço que parecia legal. até o momento eu tava apenas explorando o aplicativo – nem se quer sabia onde se lia as bios da galera.

isso já era meia noite e meia, a insônia + tédio me fizeram mandar um “oi :)” pra ver no que dava.

– oi 🙂

– você é tipo uma bruxa? :O

– siiiiim, sou um ser iluminado.

– curti, e o chapéu? usa no dia a dia?

– eu até uso, mas ele é invisível e só outros seres iluminados podem ver.

– ah, então você leu minha bio? tudo bem pra você? eu não ser humano?

só nessa hora, é que eu fui ler a bio do cara e ele tinha colocado lá que ele era um e.t. e que estava no bumble para abduzir pessoas. falei pra ele que eu não tinha lido, mas que não via problema nenhum em seres extraterrestres.

continuamos a conversa nesse tom bobo e despretensioso. não sei como, mas chegamos em temas como fhc, steve jobs, loucura, signos, feminismo e outros.

a conversa durou entre uma hora e meia e duas horas. fui dormir e não nos falamos mais no dia seguinte.

pra falar a verdade, não gravei o nome dele. mas da conversa tirei coisas boas.

não acredito que exista apenas um mundo.

não são simplesmente sete bilhões de pessoas em um mundo só.

são sete bilhões de mundos por aqui. e cada mundo é tão particular e tão infinito que me faz doer o coração pensar que não vou poder compartilhar meu mundo com nem se quer um bilionésimo de mundos que existem por aí.

eu sei que as duas horas de conversa não vão ficar gravadas na minha memória. sei que logo logo eu esqueço. mas fiz mais uma pequena conexão no mundo. bem pequenininha. mas ainda assim, uma conexão.

é por isso que eu gosto dessas apps. parar três segundos para olhar o rosto de pessoas aleatórias – vulgo, mundos aleatórios – não pode ser visto só como um ato superficial.

são essas olhadas no rosto, seja no aplicativo, seja na rua, que fazem como que todos nós façamos parte de um comunidade. de uma comunidade de conexões – sejam elas de uma olhada, de meia hora de troca de palavras, de conversas profundas ou de amizades verdadeiras.

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4 comentários sobre “conversas de uma hora de duração.

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