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sobre essência (de novo) e amizade

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corazón ❤

amizade é uma coisa que surge do nada, né? e que, às vezes, não depende de nós pra dar certo. depende das circunstâncias. de como a gente tá e de como a outra pessoa tá. depende das fases de duas vidas estarem conectadas. e depende também de ter uma vontadezinha de querer um novo amigo.

dia desses estava lendo um texto sobre como as amizades estão mais fracas ultimamente. falava sobre nossos amigos do trabalho, amigos da faculdade, amigos do ensino médio, amigos da balada. e sobre como deixamos de ter, simplesmente, os amigos da vida.

falava sobre como estão cada vez mais escassas as visitas às casas uns dos outros. os almoços de família preparados com carinho pelos pais dos nossos amigos. as ligações só pra jogar conversa fora… sabe essas coisas? será mesmo que as amizades de hoje em dia estão perdendo um pouco disso?

esse ano eu entrei na faculdade. estava com medo de não fazer amigas, mas logo nas primeiras semanas já estava formada a nossa panelinha. e não digo panelinha em um mau sentido, não. apenas… sei lá, o nosso grupinho.

gurias boas pra compartilhar histórias, pra fofocar, pra desabafar. pra falar dos gatos, pra ir em uma ou outra balada, pra falar sobre os dramas no trabalho. nem dois meses de amizade, e já tínhamos liberdade suficiente pra brigar umas com as outras, pra dar bronca, pra falar a real.

eu não imaginava que ainda iria fazer amigos nesse grau, sabe? achei que a ideia era preservar minhas amigas de ensino médio, que são amigas da vida, e que ficaria por ali. encontraria diversos colegas, mas amizade mesmo… eu não tava esperando.

e porque to falando isso?

esse final de semana que passou foi tranquilinho. saí com um cara aleatório na sexta-feira (inclusive, por mais aleatório que ele tenha sido, merece um postzinho). tive aula no sábado de manhã, e de lá saí com minhas três amigas para a casa de uma delas, em itajaí.

almoço em família com os pais dela. cochilo da tarde dividindo dois colchões em quatro gurias. ida ao supermercado. início da preparação de uma janta mexicana. ida novamente ao supermercado pra comprar jurupinga. e finalmente, um jantar delícia com as minhas amigas.

foi simples. mas a simplicidade sempre me lembra das coisas boas da vida. sempre me lembra de quem eu sou de verdade. e esse sábado com as minhas amigas foi incrível por causa disso.

hoje, segunda feira, eu tava meio pra baixo. sei lá. umas confusões da vida. carência, falta de atenção.

falta de boys, na verdade hahaha.

eu tava calada. mas é comum eu ficar calada.

minha amiga me perguntou o que eu tinha. eu disse que nada. ela insistiu, perguntou se eu tava triste, se tinha acontecido algo. eu continuei negando. fomos comer alguma besteira na cantina e na volta, enquanto esperávamos nossa outra amiga sair do banheiro, eu me escorei nela e soltei um suspiro.

ela me perguntou de novo o que tinha acontecido, e eu só disse que não tava muito legal. confusão de sentimentos na verdade. voltamos para a sala, era uma aula de desenho.

e em vez de desenharmos, fiquei desabafando com ela sobre tudo que me afligia. eu despejei tudo. todas minhas neuras, dúvidas. todos os meus questionamentos.

eu odeio fazer isso. sei lá, admitir que eu to mal, ainda mais por causa de um boy. odeio. mas senti uma leveza inigualável de ter alguém pra dividir isso sem me sentir julgada ou pressionada. sabendo que ela me entende, apesar de me chamar de louca e retardada um milhão de vezes durante a conversa.

dá um alívio tão grande ter alguém pra te ouvir. e pra rir da tua desgraça contigo.

eu acredito em amizades. acho que elas nos elevam a alma. nos fazem olhar pra frente. e relembrar sempre a nossa essência.

aliás, essência é a minha palavra dos últimos meses.

essência e a pureza das verdadeiras amizades.

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próxima.

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origem ❤

sempre que venho escrever aqui é porque estou confusa com a vida. com quem eu sou. com as minhas escolhas. com quem tenho me tornado.

começando agora esse texto, eu não sei direito qual direção ele vai tomar. tem muitas coisas sobre as quais eu quero escrever. mas sei que vou perdendo a vontade a medida que as palavras vão sendo despejadas aqui.

desde que dois mil e quinze começou tive algumas metas traçadas na cabeça. foram três as mais possíveis de se fazer e as que mais ficaram gravadas em mim. duas delas eu risquei da lista na semana passada e a outra vou riscar na semana que vem, se tudo der certo.

passar alguns dias em são paulo, a lazer, e fazer uma tatuagem foram os dois primeiros itens a realizar.

juntei essas duas metas e parti com muito dinheiro no bolso (pelo menos, muito dinheiro pra mim) e disposição para me aventurar na maior cidade do brasil.

tive uma reunião a trabalho na quarta feira durante o dia. a tatuagem estava marcada para ser feita no dia seguinte. mas o tal do tatuador – que conheci através de uma representante da empresa e que tem um traço muito próximo do que eu queria – me mandou uma mensagem perguntando se não poderia ser naquele mesmo dia à noite.

como não tinha nada programado e estava morrendo de ansiedade de ver minha pele desenhada, topei. eu não sabia que era tão longe e nem que isso ia mudar a minha vida.

consegui carona para ir e cheguei lá umas três horas antes do combinado. o studio do cara era dentro da sua própria casa, com seus filhos correndo de um lado para o outro, sua mulher oferecendo-me comida. tanto ele quanto o cara que estava na sessão antes de mim não paravam de fumar maconha. eu não me importaria com isso, mas achei estranho e complicado o fato de ele fumar na frente dos filhos pequenos. não curti.

fiquei esperando, cochilando, lendo, conversando no whatsapp, até que enfim chegou a minha hora. o primeiro decalque da meio bússola, meio mandala em minha coxa não ficou do jeito que eu queria. um pouco pequeno demais e com um contorno de desenho que eu não curti. pedi pra ele mudar e nisso perdemos cerca de meia hora da minha sessão.

o tatuador cobrava por hora. duzentos e cinquenta reais cada hora. cerca de quatro reais o minuto. é bastante, mas eu sou chata demais com tatuadores, é difícil achar um em quem eu confie a eternidade da minha pele. e quando me indicaram esse tal de marcelo tive certeza que era ele o escolhido, independentemente do preço que ele cobrasse.

enquanto esperava o decalque chegar, fiquei papeando com o moço. “esse lugar costuma doer?”. “uhmmmm, ahhhmmmm, ehhhhh, depende de pessoa pra pessoa e bla bla bla bla”

só que esse bla bla bla dele foi uma conversa inspiradora. foi sobre como uma sessão relativamente longa de tatuagem nos ajuda a aprender mais sobre a nossa mente. foi sobre como cada segundo de dor significa algo diferente para cada pessoa. foi um papo filosófico, que me arrepia só de pensar.

é uma dor forte, mas é uma dor que você sabe que é pra bem. que a sua mente vai se acostumando a sentir. sentir a dor de uma tatuagem é marcar na sua pele todo o momento que você está vivendo. se precisa ter significado a tatuagem? bom, para o marcelo a tatuagem é apenas ornamental, é abstrata. é uma conexão entre o que você quer e o que o tatuador interpretar, seguindo o estilo de cada um.

– se faz sentido?

– e precisa fazer?

– se tem explicação?

– e precisa ter?

toda essa conversa me fez ter ainda mais certeza da escolha da tatuagem e do tatuador. da criatura e do criador. essa conversa me deixou sem medos. me deixou segura e deixou minha cabeça tranquila e preparada para a dor.

isso tudo até que senti a primeira agulhada na pele.

aí tudo evaporou da minha cabeça. não imaginei que fosse doer tanto. que fosse me agonizar tanto. fizemos o contorno em cerca de uma hora e meia e eu não via a hora de acabar.

aí pausamos para um lanche e uma respirada.

o alívio foi gigante. tanto de ver todo o contorno pronto na pele – ficou do jeito que eu queria, me emocionei – quanto de ter acabado a parte que eu achava que seria mais dolorida.

só achava. o sombreado e o pontilhado que completariam a minha tatuagem me fizeram sofrer muito mais. eu não chorei em momento nenhum. mas eu não imaginava que a dor da tatuagem seria tão forte. ele viu que estava doendo, tentou amenizar, mas nada diminuía a minha agonia.

eu sou fraca pra dor de tatuagem. eu sou fraca pra dor. sou fraca pra controlar minha mente. sou fraca pra decidir o que eu quero. sou fraca pra ser quem eu sou. sou fraca pra expressar o que sinto.

mas sei que sentir aquela dor me fez crescer. fez a minha ficha cair. me fez limpar a minha alma de um jeito que eu nunca imaginei que fosse possível. muito menos, que fosse possível através de uma tatuagem.

uma tatuagem é um laço forte.

entre quem eu era antes dela e quem eu me tornei depois. um laço que prende diversas lembranças, sonhos, lutas e sentimentos. é um laço entre a minha pele e entre aquele cara louco que não parava de fumar maconha enquanto ouvia um post rock doido e enquanto me marcava para sempre. um laço que eterniza aquele momento. que segura minha alma para sempre em apenas alguns centímetros quadrados de pele.

essa é quem eu sou. essa gravura, essa pele coberta de sentimentos. com ou sem roupa. com ou sem cabelo. com ou sem coração batendo. esses apertos do meu coração sempre estarão cravado na pele.

ansiosa para marcar a próxima sessão.