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curiosidades sobre o fim de semana do fusca azul

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e que fique guardado aqui. ❤

sim, vai ter mais post sobre aquele final de semana do fusca, sim.

foi incrível. foi um dos melhores da minha vida. tenho muitos detalhes pra deixar guardados no coração, na memória (e aqui). e preciso colocá-los aqui pra não esquecer nunca mais. então vai ter mais post sim.

mas vão ser só algumas curiosidades. podem não significar nada pra quem for ler o post – lembrando que estou ciente de que é possível (e muito possível) de que ninguém leia. haha.

um. achei interessante a alternativa que a lucia achou de colocar som no carro. o fusca era antigo e sem nenhuma tecnologia. não tinha rádio. como sobreviver em florianópolis, solzão, dia claro, céu azul, ótimas companhias, e nenhum som pra tocar? fácil. ela deixa o macbook carregando a noite inteira, e leva pro carro junto com duas caixinhas de som. o som sai ótimo e muito alto, só as músicas que a gente quer. e o dia fica mais completo ❤ inteligência é para poucos.

dois. a cada hora que passava do lado dessas irmãs incríveis, mais ficava claro na minha cabeça o valor da palavra obrigada. nunca conheci ninguém que tivesse tão bonitamente enraizado o valor e o sentido da gratidão. nesse tópico de gratidão, podemos dividir em duas vertentes. em primeiro lugar, acho que naquele fim de semana ouvi mais vezes a palavra obrigada do que no resto do ano. obrigada pelo momento em que estamos vivendo. obrigada por estar ao meu lado nisso. obrigada por ter vindo pra cá. obrigada por ter sido minha amiga quando eu vivia no brasil. obrigada por isso. obrigada por aquilo. e eu parei pra pensar se eu falava obrigada todas as vezes que eu sentia gratidão. se eu externava esse sentimento. parei pra pensar até mesmo se eu sentia gratidão todas as vezes que eu teria que sentir. a gratidão gigante delas a mim, entre elas e a deus, me levou a questionar-me muito. enfim. obrigada por ter lido o post até aqui.

três. seguindo na parte de gratidão, quero falar das orações. a família da lucia sempre orou antes de cada refeição. hoje as meninas ainda fazem, e utilizam as mesmas palavras, as mesmas expressões, tudo igual. sempre achei lindo isso, e depois desse fim de semana, acho mais lindo ainda. independente de termos um deus, acreditarmos ou não nele, parar por um instante para agradecer a quem quer que seja pelo nosso alimento, pelo momento em que estamos vivendo, pela oportunidade de estarmos vivas, é muito importante. temos que lembrar que estamos em uma situação muito boa, e que gostaríamos que todos tivessem a oportunidade de ter pão na mesa também. que esse tópico três sempre me leve de volta a oração feita na mesa por eles. é um momento de total carinho, amor e reflexão.

quatro. no sábado a noite, depois de jantar em casa, a lucia e eu decidimos ir dar uma voltinha na lagoa da conceição, que é um dos bairros mais alternativinhos e fofos de floripa. pensamos em ir nas lojinhas. em parar em algum barzinho. em tomar sorvete. estacionamos o carro e fomos dar uma volta apé para ver o que acharíamos de bom. eu tava um caco: chinelo, calça saruel verde (era da hannah, porque meu short tinha molhado no bote), blusa roxa, casacão de tricot marinho. se eu estivesse em qualquer outro lugar, certeza que ia me sentir mal. mas me senti em casa, lá na lagoa. resumindo, paramos no food trck parking lot, um estacionamento para food trucks, com uma pista de skate, mesinhas fofas e cheio de gente diferente. queríamos doce, e logo de cara achamos o the waffle truck, que vendia… adivinhem… waflles. cara, vou te contar uma coisa. nunca comi nada tão incrível. absurdamente bom e delicioso. um waffle com textura perfeita, quentinho, gorduroso, mas nem tanto. coberto de nutella. hmmmmmm… e uma bola de sorvete de creme. sensacional, de verdade.

cinco. a princípio é só. vou deixar o cinco só pra eu lembrar que posso atualizar o post a qualquer momento com mais lembranças e curiosidades.

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fusca azul parte dois

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janela aberta e som gritando ❤

a ideia do post anterior era contar sobre como tinha sido meu fim de semana. mas a introdução ficou tão grande, que tive que dividir.

na verdade, é só uma ilusão minha porque tanto faz né. ou seja, se o post estiver grande ou pequeno, dividido ou não, ninguém vai ler do mesmo jeito então né. sei que pode até ser chato eu contar tantos detalhes assim. mas 1) minha memoria é muito fraca 2) quero deixar isso guardado em algum lugar.

depois da emoção cinematográfica de estar andando de fusca com minha amiga europeia em florianópolis, chegamos na casa da host family dela e conversamos sobre o que faríamos durante o dia. fomos no banco tentar sacar dinheiro e a conversa foi rolando. foi rolando de uma maneira tão natural. tão surpreendemente natural. a gente nem acreditava de tão natural que estávamos. sem silêncios constrangedores. contando histórias e fofocas boas sem ter que pensar antes de falar. dando conselhos. entendendo em quem nos havíamos transformado após dez anos de ausência uma da vida da outra.

apesar dos dez anos passados, foi como se nada tivesse mudado. interessante isso, porque olhando para trás eu não reconheço a isa de dez anos de idade. mas a lucia reconheceu aquela menina pequena na isa de vinte anos. e o contrário também aconteceu.

almoçamos sanduíches com salada e algumas sobras do jantar. sem nenhuma cerimônia, porque não precisava. ouvindo umas músicas meio countrys, fomos batendo papo e decidimos fazer uma trilha no sul da ilha de florianópolis.

o programa era a cara da lucia aventureira. e não tinha nada a ver com a isa urbana. mas topei. experiências diferentes fazem bem para a alma, e eu estava precisando viver coisas novas. aliás, estou precisando.

para a nossa mini aventura (na minha cabeça é uma aventura completa, mas ok): a lucia, sua irmã, hannah, e eu preparamos um mochilão. câmera de fotos ultra moderna, e outra nem tanto. frutas, cereais e outras comidinhas. água (muita água) e outros suprimentos que nos ajudariam durante aquela tarde.

saímos de casa mais tarde do que era necessário. começamos a trilha lá pelas três horas e meia da tarde. falaram que demoraria uns quarenta minutos. realmente acho que se eu não estivesse junto, teria demorado isso mesmo. mas eu estava junto, e um isa sedentária, urbana e com pouquíssimo fôlego e experiência em trilhas, acabou dobrando o tempo que levamos até a praia reservada.

enquanto íamos, muitos já estavam voltando. e nos avisavam para tomar cuidado, pois teríamos que voltar no escuro – o que não era absolutamente uma boa ideia. “mas não tem um barco que nos leva até o outro lado da praia?” “não, só na temporada, moças”.

fiquei sem fôlego. estava com uma pontinha de medo, confesso. mas estava com minhas amigas e com certeza, juntas, não correríamos perigo. eu me cansei bastante, sabe? mas não tanto quanto eu achei que me cansaria. até me surpreendi comigo mesmo, besteira, mas é. e fiquei bem feliz de ter completado tudo sem ficar dolorida e sem reclamar.

ok, continuando. chegamos na praia. e ahhh, que lugar lindo. florianópolis é só belezura. mas a praia da lagoinha do leste é de tirar o fôlego, de esquecer da vida e de todos os problemas.

estendemos uma mantinha no chão e fomos para nosso piquenique pt um do final de semana. tão gostoso viver aquele momento com as meninas. vocês tem que entender que não sou acostumada a fazer essas coisas, então tudo é novidade. tudo é lindo. tudo é amor demais.

tinha um grupo de pescadores ali por perto. lucia puxou papo. minha amiga é simpatia em pessoa, gosta de todos, conversa com todos. “moço, a gente tá com medo de voltar a essa hora, não tem um outro jeito de voltar, não?”

e logo vinha vindo um bote pela praia. “então, meninas, aquele moço pode fazer a travessia para vocês”

opa!! nossos olhos se iluminaram e nossos medos de voltar no escuro evaporaram.

era um bote. com um cara desconhecido. em alto mar. e isso nos pareceu mais seguro que a trilha. ok. isso mesmo, meninas.

o bote era minúsculo. custava trinta reais por pessoaestávamos nós três, um casal e o “motorista” do bote. estava apertado, estávamos espremidos. mal saímos da beirada da praia, e as ondas mexiam tanto o bote, mas tanto, que em dois minutos já estávamos todos encharcados. e depois disso só piorou. as ondas nos levantavam, nos faziam pular e gritar. foi tipo uma montanha russa natural. e eu amo montanhas russas. foi uma experiência muito doida. e muito legal. a gente se olhava sem acreditar. o casal olhava pra gente como se dissesse “que loucura incrível estamos compartilhando”.

de repente, o cara que nos conduzia parou o bote. “uma baleia”.

perai. perai. perai. como assim? ele tava nos zoando, certeza! “olha ali!” e a gente olhou e não tinha nada. “ah, é só zoera mesmo gente”. e aí a dona moça baleia faz um barulho forte e aparece para fora da água, há uns dez metros de distância de onde nós estávamos.

cara, que loucura. que sensacional. que incrível. que alguma palavra que não existe porque era emoção demais.

ver uma baleia. linda. gigante. maravilhosa. vê-la comendo, fazendo o som que eu só tinha ouvido pela tevê, vê-la mergulhar e ficar a vontade tão perto de nós. a sensação foi meio surreal. foi como se estivéssemos vivendo um sonho.

eu não estava esperando nada desse final de semana. os sentimentos eram de um leve frio na barriga e um medinho de não ser tão legal rever minha amiga.

mas foi incrível e me mudou pra sempre. o resto daquele sábado continuou bom demais. e no domingo… assistimos o nascer do sol, tomamos um café da manhã completíssimo em um piquenique (pt dois) na praia e almoçamos de novo em um piquenique pt três na beira da lagoa maravilhosa de floripa. fizemos compras, passeamos, nos re-conhecemos e nos divertimos muito.

me descobri. me redescobri. me encontrei. e fiquei feliz demais em ter mantido uma amizade tão forte depois de tanto tempo. depois de metade da minha vida, né.

lucia e hannah, obrigada pela experiência. obrigada pelo conhecimento. obrigada pela aventura. obrigada por me ensinarem tanto o valor da palavra obrigada ♥

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mudar o mundo.

foto de lucia marie russ

foto de lucia marie russ

doze maneiras de destruir seus sonhos 

fico me perguntando se todos sentem vontade de mudar o mundo. se todos sentem vontade de fazer a diferença. isso é tão óbvio e claro na minha vida, nos meus quereres, na minha missão no mundo, que não entra na minha cabeça que outra pessoa possa não querer isso também.

não sou do contra de propósito. juro. minha mãe diz que é de propósito sim. meu pai e meus irmãos também. meu chefe, nem se fala. e a grande maioria dos meus amigos também acha que eu amo contrariar. ok, eu amo contrariar. mas não faço de propósito. pelo menos não na maioria das vezes.

só que… ser diferente é tão bom que acho que às vezes eu acabo potencializando isso, sabe. eu não precisaria fazer nenhuma forcinha a mais para ser do contra. porque é instintivo dizer não quando todos dizem sim. ou sim quando todos dizem não. mas (super segredo ein gente) às vezes eu faço essa forcinha extra sim. não quero que me vejam como só mais uma. prefiro que ninguém me veja, do que me vejam igual a todos.

entenderam o porquê do cabelo despenteado? do óculos mega gigante? das roupas meio descombinadas? tá aí gente…

mas não acho que ser diferente tenha só a ver com a minha aparência. ser diferente tem muito mais a ver com fazer a diferença no mundo. com questionar, se revoltar. com não estar de acordo com o status quo das coisas. com conseguir fazer com que os outros enxerguem o mundo de um jeito diferente. tem a ver com mudança. mudança é bom, faz bem pra alma. mudança é transformação. ser diferente é transformação.

transformação é fazer o mundo girar. transformar é a minha missão no mundo. transformar, revoltar, chacoalhar, fazer com que as pessoas reflitam. quero fazer isso. quero fazer isso porque as pessoas mais incríveis e inspiradoras que eu já conheci fizeram isso na minha vida.

sempre fui contra a apple. não concordo com a filosofia deles. não concordo com nada que as pessoas queiram ter por status. não sou paga pau de capitalismo, e acho que a apple é o maior símbolo dele hoje em dia. também não gosto da filosofia deles de que as coisas da apple só funcionam entre elas. gente, estamos em um mundo globalizado. compartilhar é vida.

porque não fazem um facetime entre diversas marcas de telefone? pra que essa burocratização do itunes? não curto essa história não.

mas cara. steve jobs é – apenas – o – maiúsculo – cara.

desde que comecei a ter contato com meu chefe, ele me diz isso. ah, porque o steve jobs isso. ah, porque o steve jobs aquilo. ah, lê o livro do steve jobs, é muito bom. ah, a apple é foda. ah, steve jobs apple steve jobs apple foda apple o cara steve jobs. e eu nunca dei bola.

não dei bola porque eu já não curtia a apple. então não iria curtir o steve jobs, certo? errado, super errado.

me deixei convencer pelo meu irmão – que tá numa vibe super steve – e fui lá assistir o tal do filme do cara. e meu, o cara é uma bosta de ser humano né? pelo menos no começo do filme. mas pensar tão diferente assim é tão fudidamente inspirador que faz a gente ignorar as escrotices que ele fez.

é incrível como algumas pessoas parece que tem o dom né. aliás, é justamente esse pensamento que eu me dei conta essa semana que eu não podia ter. a prof mostrou um vídeo sobre a bel pesce, uma guria super nova e com ideias sensacionais. e ela fala muito sobre o quanto nós simplificamos as coisas.

“steve jobs nasceu com o dom, foi lá e criou a apple”. simplificamos e esquecemos toda a história do cara. todos os zilhões de fracassos que ele teve antes da apple ser o sucesso que é hoje. todas as zilhões de ideias que foram modificadas. todos os nãos que ele recebeu. todas as pessoas de quem ele precisou ajuda. todos os “perrengues” que ele passou. todos os pensamentos diferentes que ele teve. essas coisas não podem ser esquecidas.

steve era um cara diferente, desajustado. ele queria mudar o mundo. passou por muita coisa e persistiu muito pra mudar mesmo o mundo. e mudou.

ou seja, posso resumir toda minha reflexão de hoje em três palavras: a) diferenciação b) objetivo c) caminhada.

a diferenciação é algo que não pode sair de mim. tenho que buscar com todas as forças pensar diferente. ser diferente. sonhar diferente. buscar diferente. agir diferente. amar diferente. andar diferente. trabalhar diferente. falar diferente. comer diferente. respirar diferente. uf. me cansar de falar diferente, de uma maneira diferente. steve mostrou isso e grande parte das pessoas bem sucedidas no mundo mostraram isso também.

objetivo é algo que eu tenho que traçar. ainda não tenho meu objetivo de vida e isso dói um pouco. objetivar as coisas. ter um sonho. preciso encontrar onde quero chegar para escolher qual caminho trilhar. steve jobs sabia que queria revolucionar o mundo. será que eu saber apenas isso basta? será que eu ter na minha mente que quero mudar o mundo é um objetivo suficiente?

e por fim, a caminhada. a caminhada é isso que estou fazendo. é isso de todos os dias. são esses dramas que to vivendo sem encontrar um objetivo. a caminhada são os nãos que tenho ouvido. são os terceiros lugares que fiquei em competições por aí. são esses desânimos que sinto de vez em quando. essa vontade de largar tudo. essa vontade de continuar também. de persistir. de reencontrar meu caminho. é essa busca por algo que eu não sei o que é. essa busca por quem eu sou.  a caminhada é a parte onde coloco minha diferenciação em prática. é a parte onde parto rumo a um objetivo. é a parte onde a diversão e o trabalho se encontram. a caminhada é onde meus maiores êxitos estão.

e aí depois de chegar nessas conclusões, por onde eu começo? sei que tenho que me mexer. sei que tenho que me objetivar. sei que tenho que me diferenciar. e é isso que busco dia a dia. a cada conversa, a cada gesto meu.

que ele deixe uma marca! que ele não passe despercebido. que as pessoas percebam que ‘vai vir coisa por aí’

o discurso do jobs no final do filme baita me comoveu. e acho que por aí tá o primeiro passo. acreditar que eu posso mudar o mundo. obrigada, steve jobs. não pela apple. não pela tecnologia. mas por me inspirar. por me transformar. e assim, transformar meu mundo.

“Isto é para os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os que são peças redondas nos buracos quadrados. Os que veem as coisas de forma diferente. Eles não gostam de regras. E eles não têm nenhum respeito pelo status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou difamá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram a raça humana para frente. Enquanto alguns os veem como loucos, nós vemos gênios. Porque as pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são as que, de fato, mudam.” Steve Jobs

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fusca azul

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passei a semana passada inteira pensando sobre como escrever esse post. meu final de semana ia ser marcante. seja pra bem ou pra mal, mas ia ser marcante. e eu tentei de todas as maneiras pré escrever coisas bonitas na minha cabeça.

mas eu não tinha noção do quão marcante seria. não tinha noção de como esse final de semana seria louco e diferente de tudo que eu estava acostumada a fazer.

dia desses, falando sobre coisas da infância, minha amiga solta: “a isa não passou por isso, ela era ‘piá de apartamento'”. sim, eu era ‘piá de apartamento’. apesar da primeira fase da minha vida ter sido em uma casa, morei a maior parte da infância em prédios.

não que a gente não brincasse lá. só quem já morou em um condomínio cheio de crianças sabe a emoção de brincar de ladrão e polícia no estacionamento. de fazer competições de quem pegava mais doces no halloween. de levar broncas do síndico e de ser o maior motivo de reclamações nas reuniões do condomínio. além de ser incrível ter uma família gigante que morava no mesmo endereço que eu (ai, bateu uma saudade da galera agora).

mas mesmo com todas as brincadeiras, eu fui/sou uma ‘piá de apartamento’. tenho o mundo urbano correndo no meu sangue e marcando toda minhas história. eu sou cem por cento urbana. não passei os fins de semana em sítios e nem tenho experiência em jogar bola na rua (tinha quadra e playground no terreno da minha ‘casa’, ué).

mas durante três anos e meio da minha vida, dos sete aos nove, tive uma amiga que me abriu os olhos para fora do condomínio.

vim para o brasil em dois mil e dois, entrei logo de cara na primeira série. um menino (rodrigo), uma menina (lucia) e eu éramos os únicos novos alunos naquela sala cheia. cheia de crianças que aterrorizantemente já se conheciam e já estavam super integradas.

eu vinha da argentina. a lucia vinha de palhoça. mas antes de palhoça, a lucia tinha vindo da alemanha. ou seja, éramos duas estrangeirinhas de seis anos que precisavam desesperadamente fazer amigos.

apesar de ser novinha, lembro certinho desse primeiro dia de aula. de como a professora fez o meio de campo para que nos entrosássemos. e deu certo! viramos best friends forever – apesar de na época esse termo ser desconhecido para nós.

a lucia morava junto a um centro de reabilitação de dependentes químicos. o pai dela era diretor de lá. com espírito aventureiro, ela sempre me envolvia em aventuras bem louquinhas para crianças de mais ou menos oito anos. talvez nem eram nada demais. mas para uma piá de apartamento, eram aventuras e tanto. tipo escalar pedras. andar na lama. brincar dentro do chiqueiro. e mais um zilhão de outras atividades que a minha fraca memória não me permite dizer aqui.

acontece que em dois mil e cinco minha melhor amiga de infância teve que se mudar com a família de volta para a alemanha. gente, e agora? como sobreviver sem minha irmã gêmea?

pra falar a verdade, eu nem lembro direito como foi. não lembro nadica de como foi. acho que foi bem tranquilo, porque a vida seguiu e eu fiz novas amigas. novas melhores amigas inclusive.

continuei trocando cartas com a lucia por alguns anos ainda. e com a chegada do skype, facebook e whatsapp tudo ficou muito mais fácil e a amizade se manteve firme.

dez anos depois, minha amiga volta para o brasil para fazer um intercâmbio. e tudo que teria de legal e que estava me deixando ansiosa para este final de semana que passou, é que nos reencontraríamos depois de muito tempo. minha cabeça ficou cheia de dúvidas: será que a amizade se manteve? será que teremos assuntos? será que o final de semana vai ser bom?

a gente muda tanto. ainda mais na adolescência. são tantas fases e transformações durante esse tempinho. e não tínhamos acompanhado essa fase da vida da outra. imagine só, uma hora sua amiga tem dez anos e logo em seguida dá um pulo para os vinte. será que a gente ia se reconhecer? não pela aparência, porque facebook e instagram estão aí para ajudar nisso. mas será que nossas almas iam se reconhecer? como será que nossas personalidades iam se encontrar depois de tanto tempo?

fui pensando nisso nas duas horas e meia dentro do ônibus para florianópolis. eis que chego na rodoviária e fico perambulando enquanto procuro a lucia. de repente, ela me chama e nos abraçamos. a emoção do reencontro é um tanto grandinha. e é tudo muito esquisito, porque ela estava absolutamente igual a quando tinha dez anos.

“eu vim te buscar de fusca azul, isa” foi uma das primeiras frases que ela falou.

o fusca azul em uma cidade costeira. a minha amiga agora com cara e influencias europeias. eu renovada e com muitos sonhos e minhocas na cabeça. acho que a combinação foi perfeita para um fim de semana perfeito com minha melhor amiga de infância.

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independência sentimental. oi?

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é meio esquisita a sensação que eu to sentindo. não sei explicar. satisfação? independência? solidão?

saí da casa dos meus pais em dois mil e treze, há quase dois anos. fiquei duas semanas na casa de uma amiga, sendo mimada e paparicada pelos pais dela. foi muito bom! café da manhã super completo todos os dias, conversas e jantares bacanas a noite, uma “irmã” da minha idade e ainda, pra arrematar, aquela relação boa com os pais dos seus amigos – que é completamente diferente da relação com seus próprios pais.

depois das duas primeiras semanas na cidade nova, aluguei meu apêzinho. um loft em termos mais chiques, ou uma quitinete mesmo. com um armarinho que meus pais me deram, uma cama – ou melhor, um colchão e duas daquelas partes de baixo das camas box, sabe? -, uma geladeira e uma pia. e estava feita minha vida fora de casa. ao longo do tempo, fui adquirindo uns móveis novos e deixando a casa do meu jeitinho.

mas dois mil e quatorze foi um ano tão turbulento, que apesar de eu estar: 1) morando sozinha.  2) pagando minhas contas. 3) trabalhando e com responsabilidades de gente grande; eu ainda não me sentia fora das asinhas dos meus pais. acho que isso rolou justamente por essa turbulência toda. ou seja, eu estava tão cheia de projetos que não consegui entrar profundamente na rotina de gente grande.

e acho que agora eu cheguei nela. nessa rotina que tá me deixando meio doida, mas que tá me deixando muito satisfeita e feliz.

eu to andando com meus próprios pés. eu não to mais embaixo das asinhas dos meus pais. eu já consigo diferenciar a minha casa da casa deles – e eu achava que isso nunca ia acontecer.

eu to viajando a trabalho, to conhecendo gente nova, to vendo meu mundo crescer. cara, isso é doido.

esse é meu último mês com menos de vinte anos. meu último mês sendo uma teenager. e as coisas tem acontecido rápido. rápido e intensamente. eu gosto. to longe da casa de papai e mamãe. to sentindo saudades. mas essa é minha vida agora. e não tem como voltar atrás.

isso dói um pouco, sabe? essa sensação de só olhar pra frente e de na frente não ter mais a casinha dos meus pais. mas ao mesmo tempo que dói, é gratificante. eu conquistei muito até agora. conquistei minha independência. conquistei essa minha vidinha de adulta, com as viagens, com a confiança do meu chefe, com meu networking só crescendo. e tudo isso é fruto de muito esforço e dedicação.

quando a gente conquista essas coisas, principalmente depois de um caminho de muita entrega, a sensação é a melhor das melhores. e que venha muito pela frente, porque eu to me doando de corpo, mente e alma para que tudo continue me surpreendendo.

a maior surpresa de todas, quem diria, é a independência sentimental que eu to sentindo. entendo isso como um passo em direção a meu futuro. como um passo em direção a sonhar mais e a realizar mais.

agora sou eu sozinha quem trilha o meu caminho. e por mais clichê que pareça: nada pode me deter.

obrigada, meu Deus, por tudo que tenho conquistado

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“para de falar, isa!”

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silêncio. tô super acostumada.

sair de casa muda e voltar calada. tô super acostumada.

eu sou quietinha por natureza. quieta, introvertida, tranquila, silenciosa, chata e até mesmo tímida, vai. não gosto da palavra tímida, porque timidez vem de temer, mas ok, vai. sou tímida.

eu gosto de falar. mas só se tiver só eu e você. se vier mais alguém junto, ou se tiver um grupo de pessoas. ah, eu não gosto não. eu não falo nada, nadica. é comum pra mim. comum pros meus amigos, pra minha família. todo mundo já acostumou.

mas aí quando eu entro em um grupo novo… ah, gente… “fala mais, isa!” “para de falar, tá incomodando, isa” “o que foi que você tá tão quietinha?”. gente, para com isso, por favor.

eu sou assim sabe… sou chata, mas sou assim. e não vou me forçar a falar coisas só por falar. só pra não parecer quieta. só pra socializar. prefiro ficar na minha, mas um dia quem sabe eu me solte contigo e consiga falar umas besteiras aleatórias. juro que quando eu me solto não sou tão chata assim… quase beiro a divertida. mas leva tempo, e eu tenho o meu tempo pra isso. não adianta pedir pra eu falar não. vou no meu tempo, porque assim tudo é mais natural e verdadeiro.

e verdade vai acima de tudo, não vai? deu de falar, isa, deu de falar.

sobre ritmo

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marquinhas de jeans

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acordei as cinco para chegar em congonhas as seis e vinte cinco. ainda tinha que organizar meu quarto e fazer minha mala. não deu pra tomar café da manhã, porque ele só era servido após as seis horas. apesar de ter saído atrasada, o taxista foi super gente boa e chegamos a tempo!

o destino era santos dumont. primeira vez que viajei ao rio a trabalho. era domingo, então o dia foi mais para passeio e descanso do que pra trabalho.

rio de janeiro não ficou feliz com a minha visita. chuvinha e um céu nublado chato como só o céu do rio sabe ser – quando quer. chegamos as oito e o check in no hotel era só a uma da tarde. apesar do dia feioso, decidimos ir ao corcovado. nem eu, nem meu chefe tínhamos visitado o cristo ainda.

um tremzinho e muitas escadas para subir depois, chegamos naquela vista maravilhosa do alto do rio. cara, que foda! mesmo com o nevoeiro cobrindo parte da cidade, a vista foi surpreendente mesmo. e as selfies com o cristo ficaram ótimas. isso porque no dia anterior eu tinha comprado um chapéu fofíssimo na cotton on, que ainda não sei se vou ter coragem de usar. mas nesse dia, mesmo com a chuvinha, eu decidi usá-lo. e ele super combinou com as cores do dia cinzento e com o moço de braços abertos no fundo da selfie.

fomos almoçar num shopping. por ser domingo, as lojas estavam fechadas ainda. não sei se fico triste porque nunca passeei em um shopping nessa cidade, e no rio as lojas são totalmente diferentes das do resto do mundo. ou se agradeço, porque já deu a minha cota de compras no mês. já super deu.

almocei batata recheada com strogonoff de carne. e suco de maçã com clorofila. ah, gente… eu curto.

a história toda é pra contar o que senti quando cheguei em casa – no hotel – e deitei na cama. de calças jeans e tudo – uma calça nova, que também comprei na cotton on, junto com o chapéu.

o dia nem tinha sido cheio. nem cansativo. mas gente, eu tava com sono. muito sono. tanto sono que não quis tirar o jeans que eu tava vestindo. deitei e senti todas as marquinhas do jeans me apertando. eu odeio calça jeans por isso. qualquer jeans aperta demais minhas pernas gordinhas. mas o sono era tanto, que dormi assim mesmo.

lá pelas tantas, eu acordei e tirei a calça para dormir mais confortável. e a sensação foi absolutamente incrível e nostálgica! se eu não tivesse dormido de jeans, não teria sentido essa sensação tão gostosa. meio doidera minha isso? logo me lembrei das outras vezes que o sono me dominou a ponto de não querer tirar nenhuma peça de roupa. e a sensação foi melhor ainda. porque chegar de noite – ou de manhã – ou a qualquer hora – em casa e se jogar na cama ou no sofá só pode ser sinal de momentos foda de tão cansativos.

me lembrei de realizações. de sentimentos bons. de aventuras. de momentos com meus melhores amigos. uma vez ou outra isso aconteceu após um dia apurado e estressante no trabalho, na facul, ou na escola. mas ainda assim, do jeito que eu sou, sei que senti gratificação após esses dias cheios. e sentir as marquinhas do jeans me apertando enquanto dormia me fez lembrar de tudo isso.

gratificação, realização e bons momentos se resumem às primeiras horas de sono com uma calça jeans bem apertada e incômoda. há incômodos que nos traduzem alegrias.

por mais sono com marquinhas de jeans.

ouvir enquanto pego no sono